Contadores de história?

Andrew Stanton acredita que em meio ao movimento das histórias, há constâncias. Uma dessas constantes é a propensão humana para preencher espaços.

Segundo Elif Shafak, as histórias proporcionam um senso de centralidade, continuidade e coerência – uma espécie de cola existencial. Contudo, podem perder sua magia quando são vistas como mais do que histórias.

Para J.J. Abrams, o catalisador da imaginação é o mistério. Em cada história, uma pergunta fundamental e provocante atrai a atenção como uma caixa misteriosa.

E há um link para uma videobiografia de Alan Moore, onde o autor descreve os impulsos que se fazem expressar por meio das histórias.

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Cérebro integral

Jill Bolte Taylor, aos 37 anos, teve um derrame cerebral que paralizou o lado esquerdo do seu cérebro. Teria sido uma ocorrência comum, se ela não fosse uma renomada neurocientista.

Parcialmente lúcida durante o derrame, Jill teve uma experiência em primeira pessoa de algo que ela conhecia como objeto. O que aconteceu com aquela mulher muito racional foi uma experiência sobre a natureza da mente e seu funcionamento.

O vídeo abaixo (clique em View subtitles para ver legenda em português) é uma palestra de Jill concedida ao TED em 2008. Algumas semanas depois da palestra ir ao ar, a revista Time escolheu a cientista como uma das 100 pessoas mais influentes da Terra.

Atenção se aprende?

Confundimos bem-estar e prazer? Como é que algo que em princípio é desejável e aprazível pode adiante tornar-se repulsivo? O bem-estar seria uma mera sensação de prazer? Sobre essas questões, Matthieu Ricard compartilha algumas interessantes perspectivas no vídeo abaixo:

Como é que podemos estar em um pequeno paraíso, e ainda assim permanecer completamente insatisfeitos e aborrecidos? O que está por trás da liberdade e profunda serenidade com as quais algumas pessoas respondem a momentos desconfortáveis? Essas questões, Ricard trata à frente:

A seguir, ele introduz informações sobre a plasticidade do cérebro e da mente, e se questiona se podemos expandir qualidades como o amor, a bondade, a paciência e a franqueza. Sua resposta é iluminada pelos recentes resultados de pesquisas neurocientíficas.

Mais:
O artigo científico (em inglês) que descreve os resultados citados por Ricard foi publicado pela  PNAS – “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

Epidemias, cidades e a internet

Steven Johnson observa como situações ruins guardam bons aprendizados. No vídeo abaixo, ele conta como uma epidemia do cólera, em 1854, em uma Londres fétida, ajudou a moldar as cidades atuais (clique em View Subtitles para ver legenda em português).

Caminhando por Nova Iorque após a ataque às Torres Gêmeas, Johnson percebeu que o funcionamento de uma cidade pode ter muito o que dizer sobre como a internet funciona. Vendo a internet como um cérebro global auto-organizado, Johnson investiga o impacto da web na criação e distribuição de tendências, linguagens e informações.

Apenas um consumidor?

“A internet”, diz Clay Shirky, “é o primeiro meio da história que possui suporte nativo para grupos e conversação ao mesmo tempo. Enquanto o telefone nos deu o padrão um para um; e a televisão, rádio, revistas e livros nos deram o padrão um para muitos; a internet nos deu o padrão muitos para muitos”.

Muitos para muitos? Shirky detecta uma revolução social neste padrão de comunicação. E uma das mudanças seria esta: não somos apenas consumidores (como as indústrias e governos parecem querer nos fazer passar), mas produtores de informação, significado e cultura. O significado prático dessa mudança é ilustrado por Shirky no vídeo abaixo (clique em View Subtitles para ver legenda em português), mas muito de seu sentido passa pela mobilização social através das redes sociais, pelo colapso da hegemonia da hierarquia vertical, e pelo pluri-protagonismo político e cultural.

Compaixão é fortaleza

Karen Armstrong é uma historiadora das religiões. Seu livro “A Grande Transformação” é um documento de fôlego. Nele, Karen tenta explicar o fenômeno da religião no mundo moderno a partir do que o filósofo alemão Karl Jaspers chamou de Era Axial, um período histórico, entre os anos 900 e 200 a.C., em que surgiram as quatro grandes tradições religiosas fundamentais ao desenvolvimento espiritual da humanidade: confucionismo e taoísmo, na China; hinduísmo e budismo, na Índia; monoteísmo, em Israel; e racionalismo filosófico, na Grécia.

Em sua pesquisa, Karen percebeu que cada uma dessas tradições desenvolveu sua versão daquilo que chama de Regra de Ouro. “Olhe para teu próprio coração”, diz Karen, “e descubra o que é que te causa dor. Então recuse, sob qualquer circustância, causar tal dor a qualquer outra pessoa”.  Karen enfatiza a importância da compaixão, pois vê a centralidade desta qualidade nas tradições que pesquisou.

Abaixo, duas notáveis palestras de Armstrong no TED, ambas com legenda em português (no vídeo, clique em View Subtitles). Primeiro, uma exposição sobre os significados da palavra crença, sobre  o papel da atitude e acerca da centralidade da compaixão para a qualidade de vida.

A seguir, uma palestra sobre a funcionalidade e efeitos da compaixão. Karen reporta como a vontade de ter razão pode eclipsar a compaixão, e conclama pelo resgate desta qualidade e por seu reestabelecimento como prática norteadora fundamental da religião.