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Ira?

via Bruno Scartozonni | Update or Die

A incrível resposta da Anonymus para a Otan

Recentemente a OTAN declarou que os hackerativistas do Anonymous eram uma ameaça para a sociedade, citando casos como, por exemplo, quando eles atacaram os sistemas das empresas que entraram no boicote contra o Wikileaks.

A Anonymous respondeu da melhor forma possível, com a fantástica carta aberta que você lê logo abaixo. Como diz o Brunno Apolonio, que deu a dica desse post, as próximas gerações vão estudar esse documento na aula de História. Mas melhor do que explicar é ler. Vale o investimento de tempo.

Saudações, amigos da Otan. Nós somos a Anonymous (*)

Em uma recente publicação, vocês destacaram o Anonymous como ameaça ao ‘governo e ao povo’. Vocês também alegaram que sigilo é ‘um mal necessário’ e que transparência nem sempre é o caminho certo a seguir.

O Anonymous gostaria de lembrá-los que o governo e o povo são, ao contrário do que dizem os supostos fundamentos da ‘democracia’, entidades distintas com objetivos e desejos conflitantes, às vezes. A posição do Anonymous é a de que, quando há um conflito de interesses entre o governo e as pessoas, é a vontade do povo que deve prevalecer.  A única ameaça que a transparência oferece aos governos é a ameaça da capacidade de os governos agirem de uma forma que as pessoas discordariam, sem ter que arcar com as consequências democráticas e a responsabilização por tal comportamento.

Seu próprio relatório cita um perfeito exemplo disso, o ataque do Anonymous à HBGary (empresa de tecnologia ligada ao governo norte-americano). Se a HBGary estava agindo em nome da segurança ou do ganho militar é irrelevante – suas ações foram ilegais e moralmente repreensíveis. O Anonymous não aceita que o governo e/ou  os militares tenham o direito de estar acima da lei e de usar o falso clichê da ‘segurança nacional’ para justificar atividades ilegais e enganosas. Se o governo deve quebrar as leis, ele deve também estar disposto a aceitar as consequências democráticas disso nas urnas. Nós não aceitamos o atual status quo em que um governo pode contar uma história para o povo e outra em particular. Desonestidade e sigilo comprometem completamente o conceito de auto governo. Como as pessoas podem julgar em quem votar se elas não estiverem completamente conscientes de quais políticas os políticos estão realmente seguindo?

Quando um governo é eleito, ele se diz ‘representante’ da nação que governa. Isso significa, essencialmente, que as ações de um governo não são as ações das pessoas do governo, mas que são ações tomadas em nome de cada cidadão daquele país. É inaceitável uma situação em que as pessoas estão, em muitos casos, totalmente não cientes do que está sendo dito e feito em seu nome – por trás de portas fechadas.

Anonymous e Wikileaks são entidades distintas. As ações do Anonymous não tiveram ajuda nem foram requisitadas pelo WikiLeaks. No entanto, Anonymous e WikiLeaks compartilham um atributo comum: eles não são uma ameaça a organização alguma – a menos que tal organização esteja fazendo alguma coisa errada e tentando fugir dela.

Nós não desejamos ameaçar o jeito de viver de ninguém. Nós não desejamos ditar nada a ninguém. Nós não desejamos aterrorizar qualquer nação.

Nós apenas queremos tirar o poder investido e dá-lo de volta ao povo – que, em uma democracia, nunca deveria ter perdido isso, em primeiro lugar.

O governo faz a lei. Isso não dá a eles o direito de violá-las. Se o governo não estava fazendo nada clandestinamente ou ilegal, não haveria nada ‘embaraçoso’ sobre as revelações do WikiLeaks, nem deveria haver um escândalo vindo da HBGary. Os escândalos resultantes não foram um resultado das revelações do Anonymous ou  do WikiLeaks, eles foram um resultado do conteúdo dessas revelações. E a responsabilidade pelo conteúdo deve recair somente na porta dos políticos que, como qualquer entidade corrupta, ingenuinamente acreditam que estão acima da lei e que não seriam pegos.

Muitos comentários do governo e das empresas estão sendo dedicados a “como eles podem evitar tais vazamentos no futuro”. Tais recomendações vão desde melhorar a segurança, até baixar os níveis de autorização de acesso a informações; desde de penas mais duras para os denunciantes, até a censura à imprensa.

Nossa mensagem é simples: não mintam para o povo e vocês não terão que se preocupar sobre suas mentiras serem expostas. Não façam acordos corruptos que vocês não terão que se preocupar sobre sua corrupção sendo desnudada. Não violem as regras e vocês não terão que se preocupar com os apuros que enfrentarão por causa disso.

Não tentem consertar suas duas caras escondendo uma delas. Em vez disso, tentem ter só um rosto – um honesto, aberto e democrático.

Leia a íntegra da carta>

Cidadão coletivo?

PortoAlegre.cc: um mapa e usuários apontando problemas locais e soluções

Outro dia, Clay Shirky falou que removeu de seu vocabulário o termo ciberespaço. “A ideia, que cresceu comigo”, disse ele em entrevista ao jornal The Guardian, “era de estar em um lugar separado do mundo real, algo que os meus alunos não conseguem identificar mais.”

Faz sentido. Já são quase 2 bilhões de usuários na Internet – cerca de 30% da população global. Ainda que persista a desigualdade em sua distribuição e velocidade, e que tenhamos visto o surgimento da exclusão digital, a Internet tem a força de várias revoluções.

Seu impacto se faz sentir, e às vezes, mesmo para aqueles que estão impossibilitados de acessá-la. É assim porque, como reconheceu Shirky, o ciberespaço mesclou-se com a casa e a rua. A Internet – um meio de comunicação – invadiu (e desafiou) outras mídias, como a televisão e os jornais. E se tornou quase indispensável para os formadores de opinião, pesquisadores e fazedores de políticas públicas. E deixamos de fora o comércio.

Mas a Internet é um meio, e sendo assim necessita de sujeitos e objetos. Portanto, requer conteúdo, mensagens, informação; e troca. Ou seja, a Internet depende da cultura dos indivíduos. O que faz é aumentar a rapidez e a escala em que ocorrem esses conteúdos culturais e interações. E também é possível que seja capaz de influenciar a expressão e as premissas dessas mensagens e diálogos.

A revolução será tuitada?

Talvez, mas não porque a Internet seja a solução última para todos os problemas sócio-ambientais atuais. Por exemplo, já sabemos que pode ser utilizada para manter e fomentar ditaduras e controles civis. A Internet em si é neutra, e pode ser utilizada para os mais diversos fins, não apenas para fortalecer a democracia.

Como lembra Evgeny Morozov, governos têm usado a Internet para fazer propaganda, ou como ferramenta para monitorar a população. Enquanto uns filtram resultados de buscas, outros criam exércitos de blogueiros pró-governo e contratam pessoas para entulhar blogs e microblogs com perfis falsos e comentários favoráveis. Conteúdo contra conteúdo: a Internet pode ser usada para sufocar manifestações contrárias aos poderes totalitaristas. E mais: em países como a China, pessoas são presas com base em informações publicadas em seus perfis em redes sociais.

Revolucionários de sofá?

Pouco provável. Juntar milhares de seguidores não quer dizer mudança política. Taí o exemplo da campanha #forasarney, que fez o maior barulho, sem contudo impedir que Sarney continuasse no Senado. Poder de mobilização é muito importante. Mas o que fazer depois  disso? “Reduzir nossas ações a clicar é uma tolice”, diz Ricken Patel. “É o que acontece depois dos cliques – como fazemos uso desse apoio – que acarreta mudanças inacreditáveis.” Patel fala através da experiência. Ele é o fundador do Avaaz – comunidade que reúne 8 milhões de membros em torno de bem sucedidas petições pró-democracia.

Audiência Pública

Uma Audiência Pública sobre o Parque de Capim Macio ocorrerá nesta terça, 20/07, na sede da Procuradoria Geral de Justiça, às 09h00.

As propostas de projeto para o Parque serão apresentadas para a comunidade.  A promotoria está  na rua Promotor Manoel Alves Pessoa Neto, 97 – Candelária. Mapa.

Oikos + nomos

Inspirado por
Tim Rayner e Simon Robson

Os líderes de Estado não conseguem responder ao chamado por mudança no modelo econômico. Quem está chamado a mudança? Um planeta cujos recursos são finitos ou apenas lentamente renováveis.

Por que é que os líderes de Estado são ineficazes? Porque para eles próprios interessa a manutenção do atual modelo econômico, o mesmo que transfere riquezas planetárias para as mãos de uns poucos donos do mundo.

Talvez sejam líderes seguidores de outros líderes, aqueles financeiros e corporativos. Por que os líderes de Estado não respondem adequadamente aos chamados de um planeta em crise? Talvez porque seu sustento seja a própria causa do dano.

Logicamente, estamos falando de economia. Há uma economia e uma ECOnomia. Essa última está longe de ser empreendida pelos líderes de Estado, fixados em teorias econômicas superadas pelos fatos científicos. Espanto: o planeta não é uma reserva de recursos infinitos.

Mas a economia dos líderes de Estado diz que é bom crescer infinitamente. Crescer sempre. Crescer para sempre. Comer tudo. Comer mais. Mais. Mais. Mais. Consumir sempre, e assim fazer a economia girar. Os líderes praticantes desse credo simplesmente não estão à altura da tarefa de responder aos apelos dos ecossistemas planetários. Sua economia e seus negócios giram em torno do consumismo.

Buscam-se novas abordagens, novos protagonistas e novos arranjos de mobilização capazes de propor e demonstrar uma ECOnomia. Já podemos encontrar alguns pioneiros que se utilizam das tecnologias e da criatividade para responder ao chamado por mudança. Pelo menos em princípio, eles não poderão contar com a ajuda dos crentes da economia. Pouco importa. Sua missão é clara, e não há tempo a perder.

Apenas um consumidor?

“A internet”, diz Clay Shirky, “é o primeiro meio da história que possui suporte nativo para grupos e conversação ao mesmo tempo. Enquanto o telefone nos deu o padrão um para um; e a televisão, rádio, revistas e livros nos deram o padrão um para muitos; a internet nos deu o padrão muitos para muitos”.

Muitos para muitos? Shirky detecta uma revolução social neste padrão de comunicação. E uma das mudanças seria esta: não somos apenas consumidores (como as indústrias e governos parecem querer nos fazer passar), mas produtores de informação, significado e cultura. O significado prático dessa mudança é ilustrado por Shirky no vídeo abaixo (clique em View Subtitles para ver legenda em português), mas muito de seu sentido passa pela mobilização social através das redes sociais, pelo colapso da hegemonia da hierarquia vertical, e pelo pluri-protagonismo político e cultural.

Política Nacional de Mudanças Climáticas

Crédito imagem: Alberto Cesar

Com 16 anos de atraso (!), a lei que estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas  (PLC 283/09) deve ser sancionada nos próximos dias, com três vetos ao texto, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para detalhes sobre os vetos, clique aqui.

A lei a ser sancionada fixa a meta de reduzir as emissões de carbono entre 36,1% e 38,9% até 2020, o que exigirá por sua vez a redução em 80% do desmatamento da Amazônia – a maior fonte brasileira de poluição. Ainda determina a elaboração de um decreto com as metas que cada setor deverá assumir para contribuir com a redução das mudanças climáticas.

Para o Greenpeace, “o texto do projeto decepciona por não priorizar medidas emergenciais, como zerar o desmatamento, fomentar o mercado de energias renováveis e definir medidas de eficiência energética”.

Atualização (29/12/09): A a lei que estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas foi sancionada. E o Greenpeace, através de seu diretor geral, Sérgio Leão, voltou a acusar Lula de duplicidade na política ambiental.

Atualização (31/12/09): Editorial do Zero Hora aponta o dilema que condicionou o texto final da PLC 283/09.