Azia oceânica?

com Wired + Ars Technica

imagem NOAA

Acidificação do oceano: diminuição do pH das águas oceânicas por causa do aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Se você mora perto do mar e consome seus frutos, deveria se ligar: acidificação do oceano.

Pois em recente artigo publicado pela Science, um grupo de 21 cientistas de umas tantas diferentes universidades examinou o registro geológico em busca de evidências que pudessem indicar ciclos ou intervalos de acidificação oceânica.

Há quem queira desacreditar as mudanças climáticas afirmando que o aquecimento é apenas algo que acontece antes de um resfriamento. Para essas pessoas, o aquecimento atual não é algo novo, mas um fenômeno que se repete, em ciclos. Ou seja, não teria nada a ver com a ação humana.

Pois bem, o grupo de cientistas desejou saber se a atual acidificação oceânica é um processo inédito ou não. O que eles perceberam foi que o presente nível de acidificação não tem precedente nos últimos 300 milhões de anos.

Como a acidificação deixa sua assinatura no registro geológico? Através da composição isotópica de elementos químicos, como o carbono ou boro, nas conchas marinhas e em registros fósseis. Os estudiosos adentraram as profundezas do Plioceno, Paleoceno, Jurássico e Triássico – e se deram conta de que o nível de CO2 liberado na atmosfera era de 10 a 100 vezes menor do que as atuais emissões de carbono.

E o que eles concluíram? Que o nível mais próximo da acidificação moderna encontra-se a uns 252 milhões de anos atrás. Nas palavras deles: “O atual nível de CO2 (de combustíveis fósseis) lançados é significativamente capaz de dirigir uma combinação e magnitude de mudanças geoquímicas no oceano potencialmente sem paralelos pelo menos nos últimos ~300 [milhões de anos] da história da Terra, levantando a possibilidade de que estamos adentrando um território desconhecido de mudança no ecossistema marinho.”

Crescimento infinito?

foto christoph gielen

Durante condições oceânicas desafiadoras, certas águas-vivas “decrescem”. Elas não apenas perdem peso ou emagrecem; elas realmente perdem células e simplificam estruturas. Quando o tempo melhora, elas recrescem. Porque elas adicionam novas células e recrescem estruturas (não apenas engordando), elas de fato tornam-se rejuvenescidas – mais novas do que eram no princípio. Na outra ponta da escala, Edward Abbey há muito observou que o crescimento pelo bem do crescimento é a estratégia do câncer. Sabendo o que agora sabemos, parece que o mundo não pode produzir o bastante para crescer nossa saída da pobreza. Mas poderíamos certamente encolher para sair dela.

– Cal Safina, em
Occupied Economy

Cicatrizes industriais?

“Vejo nossa cultura como sendo viciada em petróleo e ao consumo insustentável de outros recursos naturais”, diz o fotógrafo J. Henry Far, que tem documentado as cicatrizes deixadas pela indústria humana, capturando imagens ao mesmo tempo belas e aterrorizadoras:

Mineradora despedaçando uma montanha

Cume decepado de uma montanha por uma mineradora

Fumaça tóxica lançada aos rios pelas termoelétricas

Dejetos radioativos e ácidos (pH 2) lançados na terra pelas indústrias de fertilizantes

Banksy e os publicitários

arte Banksy

É um mau sinal que os publicitários gostem de se conceder prêmios por sua ‘genialidade’ quando participam de um contexto que levou ao ápice o culto narcisista ao gênio individual? Não há nada de espantoso na autocongratulação publicitária.

Os profissionais da publicidade estão a serviço de muitos mestres, começando por seus próprios egos, passando por causas, ideologias e deleites estéticos. Singelos, beijam as mãos daqueles que puderem pagar mais por seus préstimos, como é comum a partida dos jogadores capitalistas.

Porque os publicitários, com todas as suas técnicas e pesquisas de comportamentos inspiradas pelo racionalismo, são uma invenção do capitalismo. A afirmação de que a publicidade sempre existiu, quando muito, pode ser considerada um auto-laudatório chiste.  Os meios publicitários e sua inclusão na disciplina de marketing são, sobretudo, uma invenção moderna. Previsivelmente, em sua busca por reflexos pavlovianos, as mensagens publicitárias estão focadas no indivíduo e na realização de uma felicidade objetiva e imediata, inspirada no hedonismo e possessividade.

Os publicitários são como grampos e alfinetes de uma maquinaria que está a serviço de valores específicos, entre os quais a sugestão de que o contentamento é impossível. Toda a parafernália publicitária de variações sobre o mesmo tema trabalha quase que exclusivamente sob a égide de valores inspirados num faminto consumismo de objetos descartáveis, relacionado a fenômenos como a pedagogia da distração, economia do antagonismo (e da escassez) e, evidentemente, controle social.

Cada vez mais são conhecidos os efeitos do modelo econômico subsidiado pelo mainstream pubicitário. No campo biológico, o esgarçamento e falência dos sistemas de suporte vital, com as decorrentes catástrofes sócio-ambientais que pipocam no noticiário, como Gremlins na chuva, quando não ao nosso lado. No campo social, uma ideologia de hipercompetição inspirada na maximização de vantagens individuais sob pena de ser devorado por outros tubarões de aquário. No campo psicológico, um impreenchível vazio, assolador e desconcertante, cujas drogas – legais e ilegais – não são capazes de satisfazer. No campo político, Estados reduzidos a vassalos de interesses corporativos cuja sobrevivência a qualquer custo é a teologia dominante.

Um crescente coro de questionamentos e insurgências avolume-se diante desse cenário, cuja promoção, em parte, deve-se aos artifícios dos publicitários. Há pouco, Banksy divulgou um breve manifesto onde escancara sua frustração.

Os publicitários, ele diz, “lançam comentários frívolos de ônibus implicando que tu não és sexy o bastante e que toda a diversão está acontecendo em outro lugar. Estão na TV fazendo tua namorada se sentir inadequada. Têm acesso as tecnologias mais sofisticadas que o mundo jamais viu e eles te intimidam com ela.” E ajunta: “À merda com isso. Qualquer anúncio em um espaço público que não te deixa escolha, tu tenha-o visto ou não, é teu. É teu para tomar, modificar e reusar. Tu podes fazer o que quiser com ele. Pedir permissão é como pedir que mantenha a pedra alguém que acabou de jogá-la na sua cabeça.”

Os publicitários são conhecidos por se apropriar de movimentos estéticos em sua severa fome por referências. Recentemente, buscaram refrescar sua linguagem utilizando a arte de rua como ornamento para seus sortilégios. Agora encontram um dos mais legendários representantes dessa forma contracultural de expressão diante deles, com uma lata de spray na mão e um rosto que não pode ser capitalizado.