E se a neutralidade da rede acabar?

A decisão de acabar com a neutralidade da rede irá mudar a internet. Saiba como.

1. Ela se tornará mais cara

Já pagamos para acessar a internet – tanto os usuários finais, quanto os donos de websites e ainda as companhias web. Com o fim da neutralidade, as companhias estarão livres para cobrar taxas em cima das taxas mensais que já pagamos.  Como? Poderão cobrar adicionais de empresas com grande movimentação. Esses sites poderão repassar o adicional para os clientes que usam seus serviços. Se você usa Facebook e Google, você pagará o pato.

2. Vai ficar parecendo com TV à Cabo

Ou pior. Os provedores de internet – muitos dos quais são companhias de serviços à cabo – podem criar taxas de assinatura para pacotes específicos de websites, exatamente como pacotes de canais por assinatura. Quando as empresas que provêm conteúdos são as mesmas que os produzem, fica muito fácil para elas sabotar a competição. Você terá que dizer adeus ao acesso fácil a músicas, blogs e notícias diversificadas. Você ficará preso na rede de uma única companhia e nas escolhas de conteúdo que ela fizer para você.

3. A qualidade do serviço será pior, a não ser que você pague

Sem a neutralidade, será mais fácil para as empresas efetivamente diminuir as velocidades de serviços concorrentes. A escalada é óbvia: terá mais velocidade quem puder pagar mais. Quem não puder pagar ficará com a linha mais lenta.

4. Haverá menos inovação

Com velocidade privilegiada para alguns, é fácil ver que será mais inovar. Atualmente, com a neutralidade, duas pessoas em uma garagem com uma nova ideia pode lançar um site pelo custo de uma pizza grande. Mas com o fim da neutralidade, algumas poucas empresas terão o poder de quem tem mais condições de inovar. Novos empreendedores serão mais raros. Empreendedores pequenos terão mais dificuldades.

5. Os vídeos online irão sofrer bastante

Com o fim da neutralidade, empresas de vídeos online terão mais dificuldades por causa de sua maior necessidade de banda para transmitir filmes e vídeos online em tempo real. Mas as companhias fornecedores de acesso não ganham tendo que dividir a banda com essas empresas. Sem a neutralidade, as fornecedores de acesso podem diminuir a velocidade do streaming dos serviços concorrentes.

6. BitTorrents também sofrerão

O mesmo vale para websites que transmitem torrents e facilitam downloads de conteúdo. As empresas fornecedoras de Internet, sob forte lobby da Grande Mídia, são pressionadas para bloquear esses sites especializados. Sem a neutralidade, fica muito fácil diminuir a velocidade desses sites.

7. O Universo Google irá dominar

Os provedores de internet não são os únicos que terão seu poder aumentado caso a neutralidade da rede seja destruída. Sem a neutralidade aumentará muito a consolidação de empresas dominantes, o que já vem acontecendo. O ecossistema da web encolherá e apenas uns poucos gigantes controlarão tudo. Uma empresa como a Google, que agora também é um provedor de acesso, poderá usar seu poder para parecer mais atraente e vantajosa do que outras empresas de acesso sem a mesma capacidade de conteúdo.

8. Haverá censura

Quem controla as linhas de acesso controla o fluxo de informação. Sem a neutralidade, os provedores de acesso poderão facilmente bloquear qualquer conteúdo controverso sobre seus negócios, interesses políticos e pressão sobre os governantes.

A partir de matéria da Motherboard

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Eunet?

Slide adaptado da apresentação de Eli Pariser

A maioria de nós assume que uma pesquisa de um termo no Google retornará os mesmos resultados. Já foi assim. Hoje em dia, os resultados de sua pesquisa serão costumizados a partir de dados como o modelo de seu navegador, seu histórico de pesquisas, a cidade onde você está, a hora do dia e até mesmo o tempo que você leva para digitar o termo. Outra pessoa pode receber resultados completamente diferentes, mesmo que esteja pesquisando o mesmo termo.

O serviço de personalização do Google pode fazer com que o termo “derrame de petróleo” resulte em respostas diferentes caso você seja um ambientalista ou um executivo da indústria petrolífera. O que o serviço está fazendo? Retornando respostas baseadas em nossas próprias visões. Isso significa que seu monitor está se transformando num espelho, refletindo apenas os seus próprios interesses.

Isso não parece muito promissor ou conveniente para aprender sobre a diversidade de pontos de vista e interesses. Parece mais apropriado para viver em uma bolha. Os resultados sob medida são ótimos para quem vive em universos estanques, mas péssimos para quem vive em universos compartilhados.

E não se trata apenas do Google. Facebook está fazendo a mesma coisa: dando visibilidade apenas ao que você gosta. Para fazer a mágica da dissolução do diferente, essas empresas estão analisando seus dados pessoais. Talvez sejam mais íntimas e invasivas do que você imagina.

Um tremendo mercado de informações sobre o que você faz online está crescendo. Essas empresas estão cruzando suas informações esperando gerar a certeira mensagem de venda. Querem te seduzir, Narciso.  Para isso, apresentarão justamente aquilo que você quer ver. Cada vez mais, miragens padronizadas. Impossível resistir, certo?

Mas não se trata apenas de comércio. Notícias personalizadas estão se tornando a fonte primária de informações do Facebook. Manchetes de acordo com seu gosto pessoal. No YouTube, apenas videos que você quer assistir. Análises que não contradigam seus interesses. Parceiros que pensam igualzinho a você. Tudo para que você não se frustre com a chateação da contradição, da parcialidade, da diversidade. Tudo para que sua experiência seja sempre amigável, segura, prazeiroza e homogênea.

A visão de um mundo feito sob medida, cada pedaço dele vestindo você perfeitamente. Nada de atritos. Um Éden frequentado apenas por seus amigos, por suas pessoas favoritas, por suas coisas, por suas ideias. Nunca chateado pelo diferente. Tudo estará em paz dentro da bolha, certo?

(Inspirado por Eli Pariser, no livro The Filter Bubble: What the Internet is Hiding from You)

Internet livre?

A partir de
The Economist

Já há o que não viva sem a internet. Entretanto, a internet vive em perigo. Agora mesmo, por exemplo, a universalidade que lhe confere forma está sob risco.

A universalidade da internet é uma característica de seu design aberto e em rede. Todos podem adentrar e sair dela. (Em tempo, menos de 30% da população mundial usa a internet. Entretanto, seu crescimento é assombroso: 444% entre 2000 e 2010).

Os que estão conectados participam nas qualidades de interação e compartilhamento que a virtualidade oferece. Uma rede 24/7. Um ambiente onde interconexões são um dado óbvio da realidade, e muitos falam para muitos.

Não é certo que esse ambiente sobreviva. Governos e empresas apreciam a ideia de controlar parte do trânsito de informações, bem como de capitalizar maiores lucros. Na política, este é o caso na China, Irã e Austrália, onde filtros governamentais selecionam o que pode ou não ser acessado e compartilhado.  No Brasil há propostas similares.

(De acordo com o Google, no segundo semestre de 2009, o governo brasileiro liderou o número de pedidos de informação sobre usuários. O Brasil também está na frente na quantidade de pedidos para remoção de conteúdo no YouTube)

Por razões comerciais ou de soberania, governos e empresas querem controlar a troca de informações. Por isso buscam monopolizar conteúdos e meios, fragmentando a rede em pedaços, com códigos de domínio exclusivo, acessáveis por uns e não por outros. Ao mesmo tempo, querem saber tudo sobre os dados pessoais de cada usuário.

Grandes companhias de tecnologia de informação tentam criar e governar territórios digitais, enquanto buscam meios para controlar a velocidade do trânsito das informações compartilhadas, abandonando um dos princípios fundantes da internet: cada pacote de informação, apesar de seu conteúdo, deve ser tratado do mesmo modo, e o melhor esforço deverá ser feito pra encaminhá-lo.

A internet aberta acrescentou muitas possibilidades de intercâmbio e interação, que não apenas serviram ao desenvolvimento empresarial, mas que produziram outras formas de produção e troca, como os códigos abertos. Sua não-especificidade é um convite à diversidade e à inovação. Agora, em um movimento previsível, empresas e governos querem fatiar a rede em cercadinhos e vias vip.

A internet como a experimentamos não parece ser nada certa. De repente, a interação online passa a depender da altura das barreiras que empresas e governos desejam construir.

Link: Em sua nova geração, a internet são várias redes. Não uma só.