Você sabe se desintoxicar?

Alimentos de alta vitalidade apoiam os mecanismos de desintoxicação do corpo. Lembre-se: a vida é tóxica. Fígado, baço, rins, intestino e poros não estão aí por acaso.

Alimentos que geram vida são germes e brotos. Alimentos que ativam a vida são raízes, bagos, folhas, flores, sementes, grãos, nozes. Não, carnes não são recomendadas. Nem laticínios. Muito menos enlatados e embutidos.

Alimentos que destroem a vida: açúcar, aditivos químicos.

JEJUM (com informações de Dr. Soleil)

O jejum é um meio de desintoxicação poderoso e intenso. É perfeitamente possível preparar o organismo para o jejum. Comece: produtos animais, menos. Hortaliças, mais.

O jejum em três ações: 1) diminua a comida aos poucos, 2) jejue, e  3) acrescente comida aos poucos.

O jejum em etapas: 1) retire produtos animais, 2) corte excitantes, óleos e frituras, 3) suprima nozes, óleos e gorduras vegetais, 4) retire cereais cozidos, 5) corte hortaliças e frutas cozidas, 6) mistura de cereais, hortaliças e frutas crus.

Para voltar a comer, retorne as etapas: 1) adicione mistura de cereais, hortaliças e frutas cruas, 2) acrescente hortaliças e frutas cozidas, 3) insira cereais cozidos, 4) adicione nozes, óleos e gorduras vegetais, 5) acrescente excitantes, óleos e frituras, 6) insira produtos animais.

Cada etapa corresponde a uma refeição, a um dia ou a vários dias. Elas conduzem lentamente ao jejum. Com a prática, sente-se por experiência o tempo certo para cada estágio.

Durante o jejum: nenhum alimento sólido é ingerido, mas água e sucos de hortaliças (feitos na hora) estão liberados. Absorva entre 1,5 e 3 litros de água por dia.

O jejum é um banquete de líquidos (bebidos de acordo com a sede) e de oxigênio. Pode beber: refresco de fruta depurativa espremida na hora, água com limão (1/2 copo de limão em 1/2  a 1 litro de água).

Não misture frutas e respeite um intervalo de algumas horas entre o suco de uma fruta e o suco de uma hortaliça (ou entre o suco de dois tipos de fruta).

  • Liberado: Caldo cru. Corte uma ou várias hortaliças em pedacinhos. Mergulhe em água à temperatura ambiente por até 24 horas. Coe. Descarte as hortaliças. Beba a água.
  • Liberado: Chá de erva medicinal não muito quente.
  • Liberado: Poção mágica: 1 colher de sopa de suco de limão. 1/2 colher de sopa de melado de cana. 7 colheres de sopa de água. 1 colher de sopa da água em que colocamos por pouco tempo uma pequena pimenta malagueta amassada.
  • Liberado: Rejuvelac
  • Liberado: Banho de sol (exposição progressiva e moderada). Molhe frequentemente o corpo com água. Beba líquidos.
  • Liberados ainda: caminhar de pés descalços, relaxamento, meditar, massagens, exercício físico moderado, expressão da voz, atividades criativas: desenho, pintura, modelagem, poesia, etc.

A fome desaparece em geral após um ou dos dias de jejum completo. As funções de eliminação são intensificadas.

Em caso de emergência

  • Eliminação muito intensa? Volte duas etapas durante algumas horas ou mesmo alguns dias.
  • Mau hálito e gosto desagradável na boca: Escovar os dentes, a gengiva e a língua. Gargareje.
  • Odores corporais: Escove a pele a seco com luva de bucha. Banho de chuveiro.
  • Nariz tapado: Lavar nariz com soro fisiológico. Exercícios de respiração.
  • Hálito com cheiro de acetona: Lavagem intestinal. Poção mágica.
  • Cheiro de bílis: Lavagem intestinal.
  • Dores de cabeça e náuseas: Bolsa de água quente na região do fígado. Chás depurativos.
  • Urina escura com cheiro forte: Ingerir mais líquidos. Descanse um pouco de pernas levantadas.
  • Insônia, cansaço: Relaxar (usando calor ou exercícios)
  • Dores agudas, febre: Aplicação de gelo ou de compressas frias.
  • Sensação de frio: Banho quente, sauna, fricções, bolsa de água quente, exercícios, ioga.
  • Emoções antigas podem aparecer. Lembre-se: não é à toa que você tem uma relação afetiva com a comida. Canalize as emoções: espreguice, chore, careteie, rasgue jornais velhos, caminhe, arteie, medite. 
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Citação

Românticos?

Cassirer mantém que liberdade é a habilidade, aparentemente inexaurível, da consciência humana para produzir formas simbólicas. Decorrente dessas imagens da consciência é a cultura humana — linguagem, mito, política, moralidade, e assim por diante, literalmente, infinitum. Para Cassirer, a chave para a liberdade é “espontaneidade”. Espontaneidade é um processo de fabricação do mundo pelo qual criações mentais imaginativas e simbólicas tornam-se a esfera objetiva da cultura humana, de nosso mundo vivido. Para Heidegger, o fato significante sobre esse mundo vivido não é que ele seja espontânea e imaginariamente criado, mas, precisamente, que o indivíduo se encontra “lançado” nele. As causas e condições governando este mundo estão fora de nosso controle. Para Heidegger, uma análise lúcida de nossa condição mais básica, em suma, revela que nossa vida no mundo é marcada por uma finitude irrevogável. A única esperança do indivíduo é se tornar cada vez mais receptivo ou “aberto” para sua situação como ser finito em um mundo finito; um mundo, aliás, obviamente destituído da Base canceladora da finitude que a cultura (mito, religião, prática ritual, etc.) anseia tanto prover. Aqui está a diferença entre as duas noções de liberdade. “Os trabalhos do espírito [geist]” de Cassirer — trabalhos, isto é, da imaginação criativa, transcendente e espontânea — poderiam ser empregados para nos desacorrentar dos medos debilitantes da finitude e outros ostensivos limites contrários à vida e, ao invés, selar cenários ideais (verdade, beleza, Deus, vida após a morte, justiça). Essa abordagem, disse Heidegger, exemplifica o maior erro da filosofia ao mesmo tempo em que nega seu maior mérito. A tarefa da filosofia — poderíamos dizer tarefa da reflexão — é precisamente não nos prover com nobres manifestos de auto-desenvolvimento. É o contrário, deixar transparente nossa situação no mundo — finitude, medo, o nada, e todo o resto.”

 Glenn Wallis,
aqui

Espaço mãe, ignorada

via art-of-glass

Estamos cercados pelo espaço. Graças a ele, a Terra e os demais planetas podem girar em torno do Sol. Ao espaço, os seres humanos devem a possibilidade de construir casinhas e arranha-céus, carros e vias de trânsito. O espaço é o campo para as safras e para os rodopios dos bailarinos. É o local onde se propagam os sons e os fogos de artifício. Sem o espaço, os seres humanos não poderiam mastigar, engolir, digerir, excretar ou respirar…

Sem espaço entre as palavras, as frases não fariam sentido. É o espaço que acolhe os livros, os arquivos digitais e os líquidos. Sem espaço, não há movimento, fluxo, manifestação ou vida. Eis a importância fundamental do espaço, que não apenas nos cerca, mas que nos compõe, como bem sabem os físicos ou qualquer um que já tenha sentido os efeitos de um edema da glote.

Todavia, é como se não tivéssemos qualquer intimidade com o próprio meio no qual existimos e podemos conhecer e plasmar aquilo a que chamamos de realidade. O espaço, essa mãe cotidianamente ignorada. E o que podemos aprender com o espaço? Ora, podemos aprender sobre nós mesmos, pois de certa forma o espaço é uma construção humana. Também podemos acessar ricos vislumbres sobre a natureza da liberdade e das obsessões. Através do espaço, podemos arejar recintos fechados e ideias mofadas. Com espaço, podemos estabelecer pontes, e até mesmo relaxar e descontrair. No espaço, podemos conviver.

Diz o Tao Te King:

Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o espaço dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;
É o vazio que o torna útil.

Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta na utilidade do que lá não está.

Apreciando o espaço, vemos como é rico de possibilidades, ao ponto de permitir diferentes acepções de si mesmo. Poucos de nós parecem cultivar uma visão tão livre de si próprios. Talvez possamos parcialmente reputar nossos egos como um dos responsáveis por nossas visões limitadas e limitadoras de nós mesmos, dos demais seres e do próprio meio no qual se dão nossas existências.

Esse descompasso ou distorção entre a riqueza da realidade e nossas empobrecidas percepções sobre ela, tantas vezes tomadas como verdades absolutas, está na raíz da maioria de nossos infortúnios. Sem espaço, somos como seres enjaulados por suas próprias contas. Não seria nossa tensão produzida pela diariamente alimentada percepção de espaço restrito? Talvez, possamos lembrar que um dos campos do espaço está na mente. Num ambiente de tensão, notamos que as pessoas com maior espaço mental tendem a estar mais tranquilas. Num ambiente de paz, notamos que as pessoas com menor espaço mental tendem a estar mais tensas.

A qualquer momento, o espaço está presente e livre, como um espelho que reflete tudo o que se aproxima dele, sem contudo reter qualquer conteúdo a não ser sua própria natureza, a de refletir. Eis uma das características mais radicais do espaço. Poderíamos aprender com ela, o que talvez nos levasse numa jornada mais ampla que o próprio espaço.

Cientista do diálogo, Atlan estará em Natal

Crédito imagem: Corbis

Henri Atlan é um dos teóricos pioneiros das teorias da complexidade e auto-organização. Médico, biólogo e professor emérito da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, e da Universidade de Hadassah, em Jerusalém, Atlan é autor de numerosos trabalhos no domínio da biologia celular, biofísica e inteligência artificial. Sua reflexão relaciona ciência e ética, interrogando a compatibilidade entre o pensamento científico lastreado nos determinismos e o entendimento da complexidade, compreendida a partir das transformações criativas.

Atlan está entre aqueles que reconhecem o princípio do acaso organizador que, em sua teoria da auto-organização, chama de “ordem pelo ruído”. Sugere, portanto, uma visão ampliada da realidade, um novo caminho para entender a natureza, com repercussões em várias áreas do (auto-) conhecimento. Dialogando com o filósofo Spinoza, afirma que o sujeito se constrói pela mediação de seus próprios determinismos.

Estará em Natal, nestas segunda (21/12) e terça (22/12), a convite do Grupo de Estudos da Complexidade, GRECOM. Atlan participará ainda da última edição deste ano dos Diálogos Criativos. Todos os eventos têm entrada franca.

Programação

Segunda-feira 21/12
10h00 Conferência “Mito e Ciência”
Local: Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede – Campus UFRN

17h00 Conferência “A sobre-determinação dos modelos pelo observador: uma propriedade dos sistemas complexos”
Local: Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede – Campus UFRN

Terça-feira, 22/12
18h00 Conferência “O “Útero Artificial”
Local: Auditório da Livraria Siciliano – Shopping Midway Mall

Liberdade?

Desenhando-se, de M. C. Escher.

Talvez pensemos que sabemos o que é a liberdade. Daí dizemos que somos livres disso ou para aquilo. “Sou livre para fazer o que quiser” ou “Sou livre para dizer o que penso” são afirmações que podem acompanhar nossos entendimentos sobre a liberdade. Essas são frases focadas no sujeito. Notamos que nossas ideias sobre a liberdade podem estar tingidas pelo valor do individualismo absoluto.

Podemos realmente dizer que estamos agindo livremente quando nossa ação é condicionada por um impulso do qual estamos inconscientes? Realmente podemos afirmar que estamos livres para fazer o que queremos quando nosso agir é condicionado pelo medo? Podemos encontrar algumas perspectivas para essas perguntas examinando nossas experiências cotidianas?

Ouvimos e frequentemente pronunciamos frases feitas acerca daquilo que pouco compreendemos. “Liberdade, cada um tem a sua” é uma dessas frases, mas ela é vítima de si mesma. Se cada um tem a sua liberdade é possível formular a opinião contrária – a de que cada um não tem a sua liberdade. No fundo, qual é nossa intenção ao emitir tais pareceres? Estamos buscando aprofundar nosso entendimento? Estamos nos guardando em nossas zonas de conforto? Em suma, contemplamos por nós mesmos a liberdade ou estamos a repetir o que escutamos alhures?

Talvez não saibamos o que seja a liberdade. Talvez tenhamos apenas vislumbres da liberdade. Quando nossas ações são condicionadas por reflexos acríticos, podemos falar em ação livre? Quando nossos pensamentos são condicionados por memórias e sensações, podemos falar em mente livre? Se fôssemos livres estaríamos falando sobre a liberdade? Podemos pensar que sim, que falar sobre a liberdade é estar livre para falar sobre ela. Mas podemos pensar que não, que falar sobre algo é apenas a ponta do iceberg, isto é, que existe uma dimensão mais profunda condicionando nossa expressão.

Sim ou não? Talvez a liberdade passe por ambos, sim e não. Há liberdade sem responsabilidade? Podemos falar de liberdade sem nos referir implícita ou explicitamente a ausência de liberdade? Estariam nossos conceitos de liberdade estereotipados? Realmente queremos saber? Talvez não queiramos ser livres. Talvez queiramos ser conduzidos, como em uma manada. Talvez esse sentimento algo velado dê significado a nossa vontade de messias. Um salvador para nos libertar é uma construção fácil, na medida em que sugere que somos incapazes. Todavia somos?

A questão da liberdade é alvo de filósofos, físicos, místicos, religiosos, artistas… Mas ela tem a ver com os demais, comigo e com você? Queremos protagonizar a liberdade? Nesse caso, teremos que começar a andar por nós mesmos, desafiando a ideia de que somos incapazes, desafiando lugares comuns. Deveremos reconhecer a liberdade e a ausência de liberdade em nossas próprias experiências. Talvez vejamos que nossas próprias existências não estão dissociadas da vivência dos demais, assim como as águas correntes de um rio não estão dissociadas do sol.

Aparência e Ilusão

via this eager heart of mine

“Entretanto, é difícil livrar-se do hábito de pensar que as coisas existem no mundo ‘lá fora’ ou ‘aqui dentro’. Isso significa renunciar a todas as ilusões que você cultiva e reconhecer que tudo o que você projeta, tudo o que você considera como ‘outro’ é, na verdade, a expressão espontânea de sua própria mente. Isso significa abandonar ideias sobre a realidade e, em vez disso, vivenciar o fluxo da realidade como ela é. Ao mesmo tempo, você não precisa desvincular-se completamente de suas percepções. Você não precisa se isolar em uma caverna ou em um retiro no alto de uma montanha. Você pode apreciar suas percepções sem se envolver ativamente nelas, olhar para elas da mesma forma como olha para objetos que vivencia em um sonho. Você pode, com efeito, começar a se maravilhar com a variedade de experiências que se apresentam a você”. (Yongey Mingyur Rinpoche, 2007)

Onde está a carruagem?

Para espanto do rei Milinda, o monge Nagasena começa a desmontar a carruagem. Em primeiro lugar, retira os cavalos e pergunta:

– Estes cavalos são a carruagem, ó nobre rei?
O rei responde:
– Claro que não.
O monge tira em seguida as rodas e pergunta:
– Estas rodas, ó nobre rei, são a carruagem?
Recebendo a mesma resposta, o monge continua o processo, até retirar todas as partes destacáveis da carruagem. Em seguida, apontando para o chassi, pergunta pela última vez:
– Isto aqui é a carruagem, ó nobre rei?