So hot!

Pesquisadores do Berkeley Lab e da Universidade da California sugerem que é possível confeccionar painéis fotovoltaicos altamente eficientes a partir de virtualmente qualquer semicondutor, incluindo óxidos de metal (sim, ferrugem!). A inovação desonera o custo de captação de energia solar.

Os cientistas por trás do projeto desenvolveram junções p-n (a estrutura fundamental dos painéis solares) a partir de matérias baratas, incluindo óxidos metálicos, sulfetos e fosfetos. A sugestão é que qualquer material semicondutor pode ser usado para produzir um campo elétrico.

via venturebeat

Belo Monte

TRF-1 invalida licença de Belo Monte

A licença que permitia a instalação da Usina de Belo Monte foi invalidada pelo Tribunal Regional Federal. As obras devem ser suspensas. O consórcio Norte Energia, construtora da obra, poderá recorrer da sentença no STF.

Conforme o relator, desembargador Antônio de Souza Prudente, a determinação da consulta prévia e informada – conforme manda a Constituição Federal e a Convenção 196 da OIT – não foi realizada pelo Congresso. As comunidades indígenas precisam ser ouvidas e consideradas pelos parlamentares. A consulta não é uma mera formalidade, vossas excelências.

Souza Prudente acrescenta que o Congresso não pode delegar a terceiros a consulta. Aquelas realizadas pelo Ibama, Funai e demais órgãos estão, desse modo, invalidadas.

com notícia de Renato Santana
via Xingu Vivo

co[R]pos

Um evento pensando a sustentabilidade e copos de plástico. Uma fagulha de ludicidez e, voilá!: co[R]pos.

via Pescandoluzes

“De onde saíram os co[R]pos?”, perguntei ao Zeca, um dos artífices da intervenção.

E o Zeca respondeu assim:

“Impressionante como nossos discursos estão, muitas vezes, dis-conexos de nossas atitudes e comportamentos. Sejam o cotidiano ou os fenômenos extraordinários da vida, há momentos que a relação fica frouxa.

Fiquei feliz com o discurso de sustentabilidade das pessoas que compunham aquele encontro de massa cinzenta brasileira, mas indignado porque o ser-sustentável ficou no papel, na boca, e todos puderam lançar (a) mão de um simples compromisso de consciência e implicações futuras, e jogar os copos descartáveis fora, lembrando que este é o destino dos co[R]pos (ciclos).

O que me preocupou de verdade não foram os copos. Os copos eram apenas um trampolim para apertar o nó em outra parte da rede. O peixe que eu queria pegar era outro. A relação fácil, de pegar o copo e largar rapidamente, a fugacidade nessa relação foi o que me chamou a atenção. A relação nós (interpessoais), e de nós com o ambiente está passando por um período bem complicado.

Depois que o copo é jogado fora, ele é literalmente esquecido. Não! Ele não existe mais, já não preciso mais dele em nossa existência. Isso é o que me preocupa, pois o corpo-nós-copo depois do uso, nunca aconteceu. E só existe copo porque algum corpo vai beber água.

Então, precisamos de cuidados nas nossas relações, é a isso que refiro. Somos energia ressonante que envia e recebe vibrações de rádio, pois “é só uma cabeça equilibrada em cima de um corpo, procurando antenar boas vibrações…”. Qualquer dos seres que somos por momentos (copos ou corpos) estão antenados espiritual, molecular e energeticamente com o nós a existir, numa ressonância que re-conecta.

E por empatia natural somos atraídos para o núcleo do nós.

Dois em um, dois-um, zero.”

Teto da dívida?

Em toda essa conversa sobre a dívida americana não se ouve falar do meio ambiente. Entretanto, toda essa crise tem sua fundamentação na relação dos empreendedores e gestores político-econômicos com o meio ambiente.

Removendo montanhas – Daniel Shea

Uma cédula de dinheiro não é nada mais do que um pedaço do meio ambiente sendo transformado em recurso por nós. Ao pagar as compras em um caixa de supermercado, o consumidor está “pagando” por partes de meio ambiente em calda, em chips, à vácuo. Onde o consumidor vê uma garrafa de cerveja, ali está o meio ambiente fracionado em recurso.

Quando o espectador vem a ter com uma notícia sobre o aumento do PIB, ele deveria ter em mente que o PIB é um índice dependente da extração e desperdício de frações ambientais. Portanto, o aumento do PIB não representa uma notícia necessariamente feliz e alvissareira.

O PIB está interessado apenas nas atividades associadas a valores monetários. Ignorando todos os valores não-monetários da economia, o PIB nasce manco e restringe o conceito de riqueza. Além disso, o PIB torna-se francamente disfuncional ao computar como riqueza custos sociais como conflitos, acidentes, litígios e gastos com saúde. Lembra-nos Ralph Nader: “Toda vez que acontece um acidente de carro o PIB cresce.”

Por trás da fachada de neutralidade técnica, o PIB é estimulado por valores demasiado humanos: egoísmo, cobiça, gula e orgulho, que moldam uma visão marcada pelo reducionismo, imediatismo e triunfalismo; e condicionam uma atitude hipercompetitiva, possessiva e oligarca por parte dos “jogadores” econômicos e partes interessadas.

Removendo montanhas – Daniel Shea

Mercados livres existem apenas na cabeça de Milton Friedman e seus discípulos. No duro, os mercados são controlados por grandes corporações com papel decisivo nas políticas públicas que, entre outros efeitos, forçam os consumidores a se tornar investidores involuntários em guerras, colapsos ecossistêmicos e demandas artificiais. Haja “Mão Invisível”!

O dogma econômico atual exclui o custo ambiental de seus cálculos. Isso significa que algo ou alguém está arcando e subsidiando esses custos para nós. “Inflação” é o nome que damos ao que acontece quando esse algo ou alguém não consegue mais arcar com os custos de nossas demandas. “Inflação”, diz Hazel Henderson, “é apenas a soma de todas as variáveis que os economistas deixaram de fora de seus modelos.”

Entre as variáveis abandonadas pelo economistas está o “capital natural” –  a base de todas as chamadas “matérias-primas” e a fonte de toda a energia que usamos como “recurso” para sustentar nossos estilos de vida. Sacando cada vez mais da poupança natural, construímos uma dívida. E a fim de calotear a dívida, excluímos os custos ambientais (e sociais) de nossas economias, como se não quiséssemos ver o resultado completo de nossas ações. Mas onde a dívida foi parar? Ora, ela está nos engolfando e engolindo.

Removendo montanhas – Daniel Shea

Então, como aumentar o teto da dívida pode realmente solucionar o problema? Não pode. Aumentar o teto da dívida significa simplesmente ampliar o limite do saque.

Portanto, toda a crise da dívida pode ser vista como uma manifestação de uma crise ambiental catalisada pelo consumismo sem o qual uma economia baseada no crescimento infinito não passará. Além disso, a crise ambiental pode ser enxergada como um fenômeno alimentado por uma crise de percepção, movida por um conjunto de crenças-sensações incoerentes com a lógica de funcionamento e manutenção da vida.