co[R]pos

Um evento pensando a sustentabilidade e copos de plástico. Uma fagulha de ludicidez e, voilá!: co[R]pos.

via Pescandoluzes

“De onde saíram os co[R]pos?”, perguntei ao Zeca, um dos artífices da intervenção.

E o Zeca respondeu assim:

“Impressionante como nossos discursos estão, muitas vezes, dis-conexos de nossas atitudes e comportamentos. Sejam o cotidiano ou os fenômenos extraordinários da vida, há momentos que a relação fica frouxa.

Fiquei feliz com o discurso de sustentabilidade das pessoas que compunham aquele encontro de massa cinzenta brasileira, mas indignado porque o ser-sustentável ficou no papel, na boca, e todos puderam lançar (a) mão de um simples compromisso de consciência e implicações futuras, e jogar os copos descartáveis fora, lembrando que este é o destino dos co[R]pos (ciclos).

O que me preocupou de verdade não foram os copos. Os copos eram apenas um trampolim para apertar o nó em outra parte da rede. O peixe que eu queria pegar era outro. A relação fácil, de pegar o copo e largar rapidamente, a fugacidade nessa relação foi o que me chamou a atenção. A relação nós (interpessoais), e de nós com o ambiente está passando por um período bem complicado.

Depois que o copo é jogado fora, ele é literalmente esquecido. Não! Ele não existe mais, já não preciso mais dele em nossa existência. Isso é o que me preocupa, pois o corpo-nós-copo depois do uso, nunca aconteceu. E só existe copo porque algum corpo vai beber água.

Então, precisamos de cuidados nas nossas relações, é a isso que refiro. Somos energia ressonante que envia e recebe vibrações de rádio, pois “é só uma cabeça equilibrada em cima de um corpo, procurando antenar boas vibrações…”. Qualquer dos seres que somos por momentos (copos ou corpos) estão antenados espiritual, molecular e energeticamente com o nós a existir, numa ressonância que re-conecta.

E por empatia natural somos atraídos para o núcleo do nós.

Dois em um, dois-um, zero.”