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Morri na Maré

“Uma querra” — diz Luis Hebeche — “não é feita apenas de batalhas sangrentas, mas de algo mais originário que Heráclito chamava de “pólemons”, isto é, um confronto espiritual…”

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Meu nome não é morte

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Morre-se muitas vezes em um único dia. Vê-se isso quando olhamos para nosso próprio corpo. Em nenhum momento o corpo está rejuvenescendo. Pelo contrário. Noutro ângulo, se olharmos para a mente, observaremos que nosso senso de continuidade é produzido por instantes de consciência. Onde foi parar o instante de consciência anterior a este? Logo mais, pergunte-se onde foi parar esse atual instante de consciência. Transformou-se. Passou. Ainda assim se quer que a morte seja um grande mistério!

A morte é apenas um nome em língua portuguesa para um momento considerado dramático de impermanência. O drama apenas demonstra desconhecimento da natureza de sujeitos e objetos. Você termina de pintar uma parede, ali mesmo começou a entropia, começou a transformação, as reações que irão transformar a forma. A natureza da forma: mudar constantemente. Daí, a parede careta pode ser pintada com cores da moda. E aí mofar e virar pó e assim por diante…

Distraídos como somos pelo hábito de paralisar a forma (nome e forma), alimentamos uma certa fantasia de durabilidade, constantemente desafiada por imprevistos circunstanciais e psicológicos. Não estranha que precisemos nos reassegurar o tempo todo. Do contrário, descobriríamos que não somos sólidos. Recalcados, tememos o descontrole (morte?) e idolatramos a segurança (vida?). Desejamos estabilidade porque somos oriundos de uma instabilidade radical.

As coisas escapam por nossas mãos; nossas mãos escapam de nossos corpos. Os pensamentos escapam por nossa mente; a mente escapa de nós mesmos. Todas as coisas que apreciamos serão apenas um lembrança. A lembrança se apagará, como milhares de outras lembranças que você nem se lembra de terem feito sua cabeça. Um belo dia você descobre que não se lembra mais da voz da pessoa amada. Perde a face da pessoa que você jurou lembrar. Olha para trás e tem apenas alguns fragmentos. Você os chama de “mim”.

Sem falar de que, agora mesmo, tudo aquilo que mantém você na ilusão de autonomia está se transformando: o clima, a geopolítica, os recursos, as mentalidades…

Virou cocô, o belo prato de comida.

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No morrer da pessoa amada

A morte iminente é acompanhada por sinais e sintomas previsíveis. Algumas orientações são muito úteis para uma maior compreensão das mudanças naturais que ocorrem no processo de morrer, bem como para melhorar a capacidade de resposta dos vivos ao processo. 

Para a maioria das famílias, o processo de morrer de uma pessoa querida é um momento tenso. Deve ser de seu melhor interesse compreender o que está acontecendo nos últimos dias de vida de uma pessoa com doença terminal. Muitas aflições podem ser pacificadas por se estar melhor informado de certos aspectos naturais e normais do processo. A pessoa que está morrendo pode ser grandemente beneficiada simplesmente porque as pessoas próximas dela não estão embaraçadas pelo mais grosseiro desentendimento.

Clique aqui para baixar o artigo em formato pdf. As informações contidas nele foram traduzidas do informativo Preparing for the Death of a Loved One, produzido pelo Metropolitan Hospice of Greater New York.

Possam todos os seres se beneficiar.

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Cidade?

Uma vez um guia adentrou a cidade. Ao retornar dela, ele disse: “Oh, estou preenchido de alegria. Havia uma tal exaltação na presença do Amar.”

Então uma pessoa próxima pensou: “Existia o Amar e uma exaltação; que maravilha! Eu devo ir ver por mim mesmo”.

Essa pessoa adentrou a cidade e ao regressar dela, disse: “Horrível. Quão horrível o mundo é! Todos pareciam estar nas goelas uns dos outros; essa foi a imagem que vi. Senti uma grande depressão, como se todo o meu corpo tivesse sido quebrado em pedaços.”

“Sim”, o guia disse, “você está certo.”

“Mas como se explica?”, a pessoa próxima disse, “Por que você estava tão feliz ao voltar e eu estou quebrado em pedaços?”

O guia disse: “Você não caminhou no ritmo que eu caminhei pela cidade.”