Ponto cego?

Viver dói. O risco de extinção é comum a todos. Mesmo fatos auspiciosos podem ser como cercos. As pessoas, por exemplo. Tipo, hoje em dia.

O que as pessoas chamam de felicidade são meros intervalos. O que há entre os intervalos? Dor. Por assim dizer, “na luta”.

As pessoas lutam para manter sua dignidade. Lutam para manter seus gostos. Lutam para saldar suas dívidas. Lutam para se divertir. Lutam para pensar. Lutam para morar. Lutam para relaxar.

Viver dói. As maiores indústrias, todas prometem alguma forma de alívio: Anestésicos, sadomasoquistas, produtos orgânicos, biotecnologias, devoções, governos.

As pessoas se embruxam por qualquer coisa. Elas se fingem de machucadas. Manipulam a atenção alheia. Fazem-se de desentendidas. Levam vantagem. Falam astuciosamente.

O alheio pressupõe o familiar. O conhecimento das pessoas reflete seletividade. Quer ver? Conte os diferentes estados de consciência e as inteligências. Some ao número de emoções.

Não confunda ideologia por ontologia. Um erro clássico é atribuir verdade absoluta ao que é uma preferência. Faculdade das pessoas: embarcar em suas próprias fantasias.

O intervalo entre o berço e o túmulo demarca o sobreviver e o procriar. Vê-se isso: na “luta” cotidiana das pessoas; na tradicionalidade de suas instituições.

O bebê humano aprende a enganar antes mesmo de falar. Para satisfazer os próprios desejos, afirma sua vontade, atrai a atenção e manipula reações.

Vamos do exagero à manobra divisionária, indo pela meia-verdade, omissão sutil e distorção. “Quantas intenções viciosas há (…) numa frase inocente e pura!”

As pessoas alucinam. Elas veem coisas onde não há coisas. Elas se desmentem. Sonham acordadas, maquinando fabulações, cárceres do envisionar.

A tragédia da confiança sincera tem exemplos de grandes proporções, dentro e fora de casa.

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5 comentários sobre “Ponto cego?

  1. Sempre leio o que vc escreve e sempre quero escrever de volta, mas nunca escrevo pq sinto que não é preciso dizer mais nada. Ao mesmo tempo, hoje não pude deixar de escrever…

    Se existe busca… É por felicidade ou por aceitação da dor?
    Você acaba de escrever a minha vida. Sou o bebê manipulador e sofro e me curo e me amo e me odeio. Minha vida é a felicidade seguida de dor. Muita dor. Muita dor desnecessária!

    Lembrei pq nunca escrevo de volta…
    Não é necessário….

  2. Caro querido, não é sempre, mas uma parte do dia – especialmente quando estou varrendo a casa ou regando o jardim me proponho toda uma série de questões sobre os relacionamentos em família e vou aos poucos me trazendo a uma certa lucidez necessária para desenrolar os rolos. Aí soma-se aquela enorme quantidade de emoções. A coisa toda é trabalhosa e às vezes dolorosa, o que não impossibilita uma visão bem-humorada. E, ao final, sabe o que acontece? Dei conta de varrer a casa, regar o jardim e sentir o frescor e a limpeza. Alguma solução no casa dos relacionamentos? Não. Aí olho pra tudo aquilo pensado e matutado e sentido e digo pra mim mesma: hoje foi assim, amanhã será alguma outra coisa. Por hoje estou agradecida, só por hoje compreendo um pouquinho mais a respeito das reações de meus filhos e de meu companheiro. E do vizinho, e do caixa no super-mercado….São todos família. beijo

  3. Hoje me pus manipulador, “chorando lágrimas de crocodilo” e reconhecendo minha infinita e pobre existência na dor. Ao mesmo tempo, passando, mergulhando em momentos de felicidade e sorrisos que se entrelaçavam com o mosaico da vida, tão cheio das cores que dançam na nossa frente e podem até nem existir.
    Sorriso domina’dor e a dor. Eles acontecem! E como não ser ou nega-los. Perceber e não percebe-los.
    Enterrar-se e regerminar

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