Omniphobos?

ilustração Hokusai

“No estado natural do mundo não só há muita gente na miséria como a maioria dos demais vive assombrada pelo medo perfeitamente razoável de ficar miserável a qualquer momento. Os trabalhadores vivem sob o risco permanente do desemprego, os funcionários sabem que suas firmas podem falir ou precisar reduzir seu pessoal, os homens de negócios, mesmo aqueles tidos como muito ricos, sabem que não é completamente improvável perderem tudo o que possuem. Profissionais liberais enfrentam uma luta dura. Depois de enormes sacrifícios para educar seus filhos, descobrem que já não há a mesma demanda para as qualificações que eles adquiriram. Os advogados percebem que as pessoas não podem mais pagar para recorrer à lei, ainda que grandes injustiças permaneçam sem solução. Os médicos descobrem que os lucrativos hipocondríacos de antes já não podem se dar ao luxo de ficar doentes, ao passo que os verdadeiros doentes têm de abrir mão de tratamentos de primeira necessidade. Acham-se homens e mulheres com formação universitária trabalhando atrás de balcões, que os livram da miséria às custas dos que antes lá estavam empregados. Em todas as classes, desde a mais baixa até quase a mais alta, o medo econômico governa os pensamentos dos homens durante o dia e seus sonhos durante a noite, tornando o trabalho exasperante e o lazer não reparador. Esse terror permanente é , creio eu, a principal causa do estado de loucura que vem varrendo uma parte considerável do mundo civilizado.”

– Bertrand Russel, em
O Elogio ao Ócio

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