Potências emergentes

linha Kenny Sperling

Fala-se de onipotência, mas nem todo mundo se importa com uma potência absoluta. Alguns relativistas certamente podem apreciar a onipotência como uma ilusão. Contudo, potências e potencialidades parecem previstas na experiência humana, como através do instinto de aprendizado, ou por meio do corpo.

A experiência humana apresenta um aparente desdobramento, desenvolvimento ou manifestação de potencialidades. A educação e as escolas concretizam a percepção de que estamos em processo, ou construção ou até impermanência.

A concepção da ideia de potencialidade permite uma multitude de possiblidades, estações e frequências, bem como desafios ao fatalismo e ao sentimento de impotência.

Como seria possivel dissociar a ideia, sensação ou vontade de onipotência do sentimento de impotência? A experiência humana parece marcada por uma discreta sensação ou percepção de impotência.

Faria qualquer sentido falar de onipotência ou potencialidade sem recorrer quase inteiramente ao contexto de impotências e obstáculos presentes na experiência humana?

Ainda assim, a experiência humana é uma de criatividade e reconhecimento de potencialidades capazes de ultrapassar impotências e obstáculos.

Essa potencialidade teria levado os homens até a cultura e então para as cidades e o vapor e toda a atual megamachine, além de disciplinas como a medicina e a educação física.

Transformar uma realidade de impotência num cenário de possibilidades é uma das qualidades do pensamento potencial, com efeitos de inovação e diversificação de vias.

A sensível tensão da experiência humana pode ser invocada pela percepção de impermanência, ou destruição criativa, que toca o que é tecido por homens e mulheres.

Essa tensão, qasi-onipresente em cidades e vilarejos humanos, pode ser encontrada na singular dificuldade que a potencialidade apresenta quando faz caducar e dissolver ordens.

O inesperado e a ruptura habitam o corpo da potência. Não é improvável uma descontinuidade de ordens humanas, como sugere a presença da vontade de longevidade e o mercado da insegurança.

Ali, com a onipotência, está o medo, demasiado urbano, da perda. Naturalmente, as crescentes situações humanas movimentam um mercado de seguros e resseguros.

Não poderia ser diferente, a experiência humana é uma de refazenda. Não o melhor dos cenários para mentalidades dogmáticas e totalitaristas.

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