Belo Monte?

porcelana Kate D. MacDowell

Há décadas o governo projeta Belo Monte, argumentando crescimento econômico. Desde então, outros setores contra-argumentam o modelo de crescimento estimado pelo governo. A economia governamental acredita no crescimento infinito, conforme a filosofia básica dos negócios: crescer e multiplicar.

Imagina-se que Belo Monte alagará metade da cidade de Altamira, e mais 1.000 imóveis rurais. Entre 20 e 40 mil pessoas serão deslocadas não necessariamente para o melhor. Cerca de 70% do espaço da obra consiste em áreas protegidas, incluindo unidades de conservação, terras indígenas, quilombolas e sítios arqueológicos.

Por trás de Belo Monte existe uma concepção ideológica. A usina não pode ser dissociada de visões de valor e projetos de poder. Seu plano é uma escolha política, inspirada por credos e interesses provincianos.

A economia pretende-se uma ciência, mas desconsidera em suas teorias as implicações da física. Diz-se científica e finge desconhecer as leis da termodinâmica. Afirma seu rigor, mas rechaça evidências que contradizem suas hipóteses. É um partido?

A economia não pode ser dissociada da ecologia. Contudo, a economia que advoga e assevera Belo Monte não poderia ser mais antiecológica. Em que pese todo o discurso verde, o governo desconsidera em suas políticas as evidências biofísicas que condicionam e limitam o deus econômico.

Uma das dificuldades dos economistas está na gestão de riscos: nem sempre se pode antever acidentes, rupturas e rebotes. Manifestações imprevisíveis assombram a visão linear e monoconsequente da economia oficial. Os bons economistas da escola rezam por um homem no centro do universo.

O sonho de grandeza de Belo Monte é garantir o crescimento econômico, evitando apagões e contribuindo para que o Brasil assuma de uma vez sua posição entre os players do mundo. O pesadelo informa que, sem Belo Monte, será o fim do Brasil-Potência e do brazilian way of life. Quantas outras barragens serão necessárias para suportar o sonho de ver cada brasileiro transformado num voraz da economia?

Ora, certamente o Brasil tem a ganhar com Belo Monte. Mas mesmo em termos puramente financeiros, é difícil dizer o que o Brasil-Potência ganharia com a usina. Seguramente serão beneficiadas as empresas internacionais e criados empregos temporários. Mesmo assim, Belo Monte deverá evitar futuros apagões.

Ou não, porque os apagões continuarão a existir desde que a demanda por energia seja maior do que sua biodisponibilidade – economia doméstica. Toda a história recente de progresso material da humanidade é virtualmente impossível sem energia abundante e estável. Contudo, no momento, a grande panacéia energética que é o óleo cru está minguando.

fotografia Werner Reiterer

A matéria-prima da economia tem sido o petróleo. Todas as cadeias produtivas atuais dependem dessa fonte energética. Belo Monte faz parte da estratégia de energia que um país pode adotar para diminuir o risco de dependência de uma fonte única. Pode adotar termoelétricas e plantas nucleares, como o Brasil faz.

Belo Monte não é apenas uma usina, mas um complexo de barragens rio acima (vide PHCs). Vultuosa, tanto ao gosto do marketing quanto da indústria barrageira, sem esquecer da emissão de gases estufa. O rio Xingu faz muito mais por muito menos metano, com muito menos estresse para os povos indígenas e os peixes.

Em tempo:

Pode ajudar? Conheça o projeto.

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6 comentários sobre “Belo Monte?

  1. A economia é uma ciência viva. Sobre a qual não se tem muito controle, creio que isso que os economistas não entendem. mas não entendi o vídeo!!!
    Bjs

    • difícil dizer. integridade? distração? é estranho definir um fenômeno complexo num ponto focal. é de supor que uma civilização baseada economicamente na expropriação infinita de recusos finitos efetivamente está cavando a própria cova.

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