Que futuro?

fotografia John Vanover

Todo país no mundo, neste momento, está reformando a educação pública. Há duas razões para isso. A primeira delas é econômica. As pessoas estão tentando descobrir como nós educamos nossas crianças para assumir seu lugar na economia do século 21. A segunda é cultural. Como educar crianças para que elas tenham um sentido de identidade cultural, ao mesmo tempo em que fazem parte de uma comunidade global?

O problema é que eles estão tentando ir de encontro ao futuro fazendo o mesmo que fizeram no passado. No caminho, estão alienando milhões de crianças que não veem nenhum sentido em ir à escola. Ainda prometemos que quem estuda, se sai bem e consegue diploma, arranja um emprego. Nossos filhos não acreditam nisso. E eles estão certos. Hoje um diploma não é mais uma garantia.

O atual sistema de educação foi concebido para uma outra época, dentro da cultura intelectual do iluminismo e das circunstâncias econômicas da Revolução Industrial. No código genético da educação pública, está entranhada a ideia de que existem dois tipos de pessoas: acadêmicas e não-acadêmicas, inteligentes e burras. A conseqüência disso é que muitas pessoas brilhantes acham que não são, porque foram julgadas à luz dessa visão particular da mente.

Esse modelo gerou caos na vida de muitas pessoas. Como no caso do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Nossas crianças estão vivendo no período mais estimulante da história do mundo. Estão sendo cercadas por informação e tem a atenção requisitada por todo tipo de plataforma: computadores, telefones, outdoors, centenas de canais de TV. E são penalizadas por não prestarem atenção.

Não é uma coincidência o fato de que a incidência de TDAH cresceu em paralelo com o aumento dos currículos padronizados. As crianças estão sendo medicadas de forma tão rotineira quanto antigamente retiravam amígdalas. Nós estamos anestesiando nossas crianças para que elas sobrevivam ao sistema educacional. Deveríamos fazer exatamente o contrário: despertá-las para o que têm dentro delas.

As escolas ainda são organizadas como linhas de fábrica, com sinos, instalações independentes, matérias especializadas. Ainda educamos nossas crianças por lotes, nós as separamos em grupos de idade. É como se a coisa mais importante sobre eles fosse sua data de fabricação. Se você está interessado em mudar o modelo de educação, não pode começar com essa mentalidade de linha de produção. Há crianças que são melhores que outras da mesma idade em certas matérias. Ou em certas horas do dia. Ou melhores em grupos menores do que em grupos maiores.

Houve um grande estudo recente sobre pensamento divergente, que é a habilidade de ver várias respostas possíveis para uma questão. Entre as crianças de 3 a 5 anos, 98% foram consideradas gênios do  pensamento divergente. Entre 5 e 8 anos, o número caiu para 32%. De 13 a 15 anos, 10%. Isso mostra duas coisas: um, nós todos temos essa capacidade; dois, em geral ela se deteriora. Entre outros motivos, porque as crianças passam dez anos na escola ouvindo que existe uma só resposta certa.

Temos que pensar diferente sobre a capacidade humana. Em primeiro lugar, temos que superar esse velho conceito de acadêmico/não-acadêmico, abstrato/teórico. E assumir que isso é um mito. Em segundo lugar, temos que reconhecer que a maior parte do bom aprendizado acontece em grupos, colaboração é o material do crescimento. Em terceiro lugar, precisamos transformar a cultura de nossas instituições, não apenas seus hábitos, como os habitats que elas ocupam.

Para mudar os paradigmas da educação, temos que trocar a metáfora industrial por uma metáfora agrícola, ou orgânica. Tirar de cena conceitos como utilidade, linearidade, conformidade, padronização. E substituí-los por outros como vitalidade, criatividade, diversidade, individualização. Se criarmos as condições e os incentivos certos nas escolas, se valorizarmos os alunos, se respeitarmos a individualidade, a mudança vai acontecer.

As ideias expostas acima são oferecidas pela turma da Trip, baseadas em uma palestra do autor e educador Ken Robinson, chamada “Mudando os Paradigmas da Educação”.

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