Ouroboros?

a partir de Buddha Buzz,
por Vajraclown

Do Afeganistão, notícias budistas: “A batalha pelos Budas”. Arqueólogos na Montanha de Cobre estão correndo contra o prazo dado pelos chineses para dinamitar o local de templos e relíquias budistas, e construir “a maior mineradora de cobre do mundo fora da África”. Aí está o arqueólogo Abdul Qadir Temory diante de Mes Aynak, na Montanha de Cobre, onde as ruínas de 1.400 anos serão demolidas no início das obras da mineradora chinesa:

imagem: Alex Rodriguez, LA Times

Buscadas para falar sobre a iminência de demolição, as ruínas preferiram desconversar. Cada monte de areia desinformava isso e aquilo. Experiências e sentimentos contraditórios foram apresentados pelos tijolos de cobe das construções – tudo aparentemente levando para lugar nenhum. Depois de duas tentativas fracassadas de conversar com a liderança das ruínas, uma estátua de dois braços, continuamos sem resposta.

Chamadas a testemunhar qualquer informação que pudesse desvendar os desencontros das ruínas e o silêncio da estátua de dois braços, as estrelas do céu norturno responderam com fogos de artifício, sorrindo entre si. O sol contentou-se a emitir um melancólico vento solar sobre a questão das ruínas em Mes Aynak. Há uma grande sensação de descaso também por parte da lua, que em público telegrafou : “Ciclos”.

Durante nossa estadia na Montanha de Cobre, conversamos com alguns bichos locais, entre os quais a coruja, uma velha ave que afirma habitar aquela área por mais de 2 milanos. Perguntada sobre o valor histórico das ruínas, a coruja resumiu-se a um piu. Posteriormente, ao ser questionado sobre a importância da mineradora para a economia da região, um grilo espantosamente verde respondeu “Quem?”.

No terceiro dia, a montanha resolveu falar. Seu prognóstico, dado pelos chineses: ser explodida aos pedaços e triturada a céu aberto. Quando encontramos a montanha, ela estava envolta em um nevoeiro. Aos seus pés, Cobre brincava com algumas energias. “Pesadelos perseguem os sonhos de Cobre”, relatou a montanha.  “Encontro-o transtornado por imagens de consumo e cadeias de produção e desperdício”.

O gestor chinês da mineradora garantiu à reportagem que a montanha não sentirá dor alguma: “Vejam, é um mineral. Nós aqui estamos trabalhando por um país sustentável. Sem esse cobre certamente algo terrível acontecerá. Portanto, é uma questão de segurança nacional e temos orgulho dessa grande obra, que é a maior mineradora de cobre do mundo fora da África”.

O governo chinês estima que a mina de Mes Aynak renderá até 45 bilhões de sonhos.

“O local é muito importante porque era um grande hub da Estrada da Seda”, apontou um arqueólogo francês enquanto limpava pedaços de budas esculpidos por gregos de Alexandre o Grande. Quarenta arqueólogos trabalham para transferir a tempo as peças budistas para um futuro conservatório.

Há quem diga que o evento representa um conflito cultural por causa de interesses comerciais. Não parece fazer qualquer sentido, pelo menos para os interesses comerciais, que divulgaram nota onde afirmam que “não há conflito, apenas alguns baderneiros desocupados com caras chatas”. Ao saber disso, o conflito cultural caiu em prantos, vaticinando a própria morte.

Antes de deixarmos o sítio, arruinados pela sensação de tranquilidade dos arcos condenados pelos Médios, conseguimos registrar em fotografia os raros Bye Budas:

Bye Budas em Mes Aynak, sul de Kabul, Afeganistão

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