Eunet?

Slide adaptado da apresentação de Eli Pariser

A maioria de nós assume que uma pesquisa de um termo no Google retornará os mesmos resultados. Já foi assim. Hoje em dia, os resultados de sua pesquisa serão costumizados a partir de dados como o modelo de seu navegador, seu histórico de pesquisas, a cidade onde você está, a hora do dia e até mesmo o tempo que você leva para digitar o termo. Outra pessoa pode receber resultados completamente diferentes, mesmo que esteja pesquisando o mesmo termo.

O serviço de personalização do Google pode fazer com que o termo “derrame de petróleo” resulte em respostas diferentes caso você seja um ambientalista ou um executivo da indústria petrolífera. O que o serviço está fazendo? Retornando respostas baseadas em nossas próprias visões. Isso significa que seu monitor está se transformando num espelho, refletindo apenas os seus próprios interesses.

Isso não parece muito promissor ou conveniente para aprender sobre a diversidade de pontos de vista e interesses. Parece mais apropriado para viver em uma bolha. Os resultados sob medida são ótimos para quem vive em universos estanques, mas péssimos para quem vive em universos compartilhados.

E não se trata apenas do Google. Facebook está fazendo a mesma coisa: dando visibilidade apenas ao que você gosta. Para fazer a mágica da dissolução do diferente, essas empresas estão analisando seus dados pessoais. Talvez sejam mais íntimas e invasivas do que você imagina.

Um tremendo mercado de informações sobre o que você faz online está crescendo. Essas empresas estão cruzando suas informações esperando gerar a certeira mensagem de venda. Querem te seduzir, Narciso.  Para isso, apresentarão justamente aquilo que você quer ver. Cada vez mais, miragens padronizadas. Impossível resistir, certo?

Mas não se trata apenas de comércio. Notícias personalizadas estão se tornando a fonte primária de informações do Facebook. Manchetes de acordo com seu gosto pessoal. No YouTube, apenas videos que você quer assistir. Análises que não contradigam seus interesses. Parceiros que pensam igualzinho a você. Tudo para que você não se frustre com a chateação da contradição, da parcialidade, da diversidade. Tudo para que sua experiência seja sempre amigável, segura, prazeiroza e homogênea.

A visão de um mundo feito sob medida, cada pedaço dele vestindo você perfeitamente. Nada de atritos. Um Éden frequentado apenas por seus amigos, por suas pessoas favoritas, por suas coisas, por suas ideias. Nunca chateado pelo diferente. Tudo estará em paz dentro da bolha, certo?

(Inspirado por Eli Pariser, no livro The Filter Bubble: What the Internet is Hiding from You)

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