Cidadão coletivo?

PortoAlegre.cc: um mapa e usuários apontando problemas locais e soluções

Outro dia, Clay Shirky falou que removeu de seu vocabulário o termo ciberespaço. “A ideia, que cresceu comigo”, disse ele em entrevista ao jornal The Guardian, “era de estar em um lugar separado do mundo real, algo que os meus alunos não conseguem identificar mais.”

Faz sentido. Já são quase 2 bilhões de usuários na Internet – cerca de 30% da população global. Ainda que persista a desigualdade em sua distribuição e velocidade, e que tenhamos visto o surgimento da exclusão digital, a Internet tem a força de várias revoluções.

Seu impacto se faz sentir, e às vezes, mesmo para aqueles que estão impossibilitados de acessá-la. É assim porque, como reconheceu Shirky, o ciberespaço mesclou-se com a casa e a rua. A Internet – um meio de comunicação – invadiu (e desafiou) outras mídias, como a televisão e os jornais. E se tornou quase indispensável para os formadores de opinião, pesquisadores e fazedores de políticas públicas. E deixamos de fora o comércio.

Mas a Internet é um meio, e sendo assim necessita de sujeitos e objetos. Portanto, requer conteúdo, mensagens, informação; e troca. Ou seja, a Internet depende da cultura dos indivíduos. O que faz é aumentar a rapidez e a escala em que ocorrem esses conteúdos culturais e interações. E também é possível que seja capaz de influenciar a expressão e as premissas dessas mensagens e diálogos.

A revolução será tuitada?

Talvez, mas não porque a Internet seja a solução última para todos os problemas sócio-ambientais atuais. Por exemplo, já sabemos que pode ser utilizada para manter e fomentar ditaduras e controles civis. A Internet em si é neutra, e pode ser utilizada para os mais diversos fins, não apenas para fortalecer a democracia.

Como lembra Evgeny Morozov, governos têm usado a Internet para fazer propaganda, ou como ferramenta para monitorar a população. Enquanto uns filtram resultados de buscas, outros criam exércitos de blogueiros pró-governo e contratam pessoas para entulhar blogs e microblogs com perfis falsos e comentários favoráveis. Conteúdo contra conteúdo: a Internet pode ser usada para sufocar manifestações contrárias aos poderes totalitaristas. E mais: em países como a China, pessoas são presas com base em informações publicadas em seus perfis em redes sociais.

Revolucionários de sofá?

Pouco provável. Juntar milhares de seguidores não quer dizer mudança política. Taí o exemplo da campanha #forasarney, que fez o maior barulho, sem contudo impedir que Sarney continuasse no Senado. Poder de mobilização é muito importante. Mas o que fazer depois  disso? “Reduzir nossas ações a clicar é uma tolice”, diz Ricken Patel. “É o que acontece depois dos cliques – como fazemos uso desse apoio – que acarreta mudanças inacreditáveis.” Patel fala através da experiência. Ele é o fundador do Avaaz – comunidade que reúne 8 milhões de membros em torno de bem sucedidas petições pró-democracia.

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