Quem é Nachiketa?

Nachiketa sentiu a brevidade da vida quando a Morte levou vários de seus amigos de uma só vez. Algum tempo depois, seu pai, um rico mercador, resolveu fazer uma grande doação ao templo para garantir um bom renascimento na outra vida.

Durante a cerimônia de oferendas, o mercador afirmou oferecer tudo aquilo que tinha de maior valor: seu gado e seu ouro. Então Nachiketa perguntou se seu filho não tinha valor. Humilhado publicamente, seu pai resolveu ofertá-lo… à Morte.

Após aquelas palavras, Nachiketa partiu até chegar a uma floresta, onde decidiu esperar que a Morte se revelasse. Por três dias e três noites, ele ficou sentado ali, concentrado e imóvel, determinado a encontrar e enfrentar a Morte. Apesar da fome e da dor, Nachiketa finalmente acessou o reino do Rei da Morte.

Lá, encontrou os ajudantes da Morte que lhe disseram que seu senhor estava fora. Nachiketa respondeu-lhes que iria esperá-lo. Três dias depois, o Guardião das Contas voltou e foi informado que um jovem por ele esperava. O Rei admirou-se: todos sempre buscavam fugir dele.

Ao ver Nachiketa, o Senhor da Morte cumprimentou-o e lhe pediu desculpas por tê-lo feito esperar. Logo após, percebendo que Nachiketa era um homem dedicado, resolveu compensá-lo pela espera de três dias, oferecendo-lhe três graças.

Em seu luminoso estado, Nachiketa pediu perdão para si mesmo e para tudo com que tinha contato. Sua experiência lhe dizia que a continuidade de sua jornada dependia de abrir mão do passado e de se reconciliar com o que havia de incompleto em seu coração. Ao pedir o perdão para si mesmo, Nachiketa perdoou o pai, pois sabia que o perdão é um caminho de mão dupla.

Reunido com a vida, Nachiketa sentiu seu coração aberto e claro. Olhando-o de frente, o Senhor da Morte perguntou qual a segunda graça a ser concedida. Nachiketa falou: “Peço a graça do fogo interno.” Ele sabia que precisaria de intensa presença para encontrar o que buscava. Sem demora, o Rei abençoou o jovem com a intensidade da plena presença.

Livre das restrições dos antigos conflitos e cheio de ardorosa coragem, Nachiketa ouviu o Rei questionar-lhe sobre a terceira e última graça. O rapaz olhou para a Morte e pediu aquilo que não morre. A Morte lembrou a Nachiketa que ele poderia pedir qualquer coisa, de palácios, ao domínio de nações e amantes de indescritível beleza.

Observando tudo o que a Morte poderia lhe dar,  perguntou se todas aquelas coisas que o Rei havia lhe mostrado iriam voltar, mais cedo ou mais tarde, para o reino do Senhor da Morte. “Sim”, respondeu o Rei, e então ouviu o rapaz insistir em seu pedido sobre aquilo que não morre.

O Senhor da Morte disse que iria conceder aquela graça e ofereceu a ele um presente extraordinário: um espelho. Mirando-se no espelho,  Nachiketa reconheceu aquilo que está além dos domínios do Rei da Morte. Assim, tornou-se livre.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s