Nem sempre faz sentido?

Salvador Dalí

Podemos constatar que nem todos podem entender. Quem de nós entende a cultura islâmica? Quem de nós entende as repercussões da omissão? Quem de nós entende a si mesmo? Quem de nós é capaz de entender tudo, todo o tempo?

Entender é lidar com o mundo a partir de um cenário. Nossas vidas passam a ser vistas como um grande enredo, uma história que nos contamos desde antes de nossos pais nascerem. Entendemos o mundo a partir de histórias, memórias e probabilidades.

Mas nem todos podem entender as histórias que contamos. Nem todos podem entender as histórias que se contam, do despertar ao cair no sono, diariamente. Entendimento e desentendimento acompanham-se. Podemos entender o desentendimento?

Entender é buscar sentido? Contadores, buscadores, coletores, construtores de sentidos, na filosofia, na ciência, na espiritualidade, na arte. Nem todos podem se entender. Perguntamos sobre os limites da interface do entendimento.

O que não podemos entender?  Podemos entender o amor? Podemos entender a dança? Podemos entender a eletricidade? O que podemos entender? Podemos entender as conseqüências de nossas atividades? Podemos entender uns aos outros?

As fronteiras do entendimento parecem confundidas com os limites do ego e da criatividade. Um sujeito para tudo entender, um eu para tudo refletir. Perguntamos onde começa e termina um eu. Numa única pergunta, muitas histórias.

Os limites do entendimento e o espaço-tempo das histórias. Espanta que se debatam os entendedores com os níveis de amplitude das qualidades do espaço e do tempo? O que nas histórias não se contenta aos limites do entendimento?

Liberdade para o não-entender. Liberdade para descobrir, construir e destruir.  Liberdade para aprender e desaprender. Liberdade para a diversidade de histórias. Liberdade para perder e habitar o fio da meada. Liberdade de contradição e complementação. Liberdade de limites.

Possibilidades de ausência de sentido habitam a liberdade de entendimento na medida em que se parecem multiplicar os níveis de entendimento, sugerindo uma incógnita no seio da aparente clareza.

Entender e não entender, ao mesmo tempo. Aceitar o desentendimento e se desprender dos entendimentos, como faz a criança que vê num copo de vidro o dedal de um gigante. A liberdade de ir além das histórias traz consigo a liberdade de criar novas histórias.

Novas histórias para novos entendimentos. Novas histórias para novos diálogos. Novas histórias sem sentido. Histórias em quadrinhos, em ciclos, para além do tempo e do espaço. Histórias multidimensionais. Histórias transoceânicas.

Histórias de histórias de histórias de histórias de histórias de histórias de histórias de histórias de histórias de hist… Liberdade de descontinuidade.

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5 comentários sobre “Nem sempre faz sentido?

  1. Desgraça graciosa… Seja bem vindo…
    Descontinuidade é nunca e sempre, o que nos faz irmos e voltarmos em nossas histórias. Não entendo. Posso não entender. Preciso desentender.

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