Internet livre?

A partir de
The Economist

Já há o que não viva sem a internet. Entretanto, a internet vive em perigo. Agora mesmo, por exemplo, a universalidade que lhe confere forma está sob risco.

A universalidade da internet é uma característica de seu design aberto e em rede. Todos podem adentrar e sair dela. (Em tempo, menos de 30% da população mundial usa a internet. Entretanto, seu crescimento é assombroso: 444% entre 2000 e 2010).

Os que estão conectados participam nas qualidades de interação e compartilhamento que a virtualidade oferece. Uma rede 24/7. Um ambiente onde interconexões são um dado óbvio da realidade, e muitos falam para muitos.

Não é certo que esse ambiente sobreviva. Governos e empresas apreciam a ideia de controlar parte do trânsito de informações, bem como de capitalizar maiores lucros. Na política, este é o caso na China, Irã e Austrália, onde filtros governamentais selecionam o que pode ou não ser acessado e compartilhado.  No Brasil há propostas similares.

(De acordo com o Google, no segundo semestre de 2009, o governo brasileiro liderou o número de pedidos de informação sobre usuários. O Brasil também está na frente na quantidade de pedidos para remoção de conteúdo no YouTube)

Por razões comerciais ou de soberania, governos e empresas querem controlar a troca de informações. Por isso buscam monopolizar conteúdos e meios, fragmentando a rede em pedaços, com códigos de domínio exclusivo, acessáveis por uns e não por outros. Ao mesmo tempo, querem saber tudo sobre os dados pessoais de cada usuário.

Grandes companhias de tecnologia de informação tentam criar e governar territórios digitais, enquanto buscam meios para controlar a velocidade do trânsito das informações compartilhadas, abandonando um dos princípios fundantes da internet: cada pacote de informação, apesar de seu conteúdo, deve ser tratado do mesmo modo, e o melhor esforço deverá ser feito pra encaminhá-lo.

A internet aberta acrescentou muitas possibilidades de intercâmbio e interação, que não apenas serviram ao desenvolvimento empresarial, mas que produziram outras formas de produção e troca, como os códigos abertos. Sua não-especificidade é um convite à diversidade e à inovação. Agora, em um movimento previsível, empresas e governos querem fatiar a rede em cercadinhos e vias vip.

A internet como a experimentamos não parece ser nada certa. De repente, a interação online passa a depender da altura das barreiras que empresas e governos desejam construir.

Link: Em sua nova geração, a internet são várias redes. Não uma só.

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