Vai passar?


Não, os governos não podem cuidar de você o tempo todo. Sequer podem zelar por si mesmos. Estão aí as ruínas dos impérios que se pretendiam eternos. Perdem-se no tempo as memórias dos grandes estadistas e reformadores. Os governantes querem-se fortes porque se sabem frágeis.

Não, o tempo não respeita o sublime nem as obras nos museus; estão todas fadadas a fragmentar e desaparecer. É o que ocorrerá com seu corpo e com tudo aquilo que você lutou para possuir. Um a um, seus dentes e os amigos perecerão. Andar se tornará um fardo e, depois, uma ideia fora de cogitação.

O que você controla? Tudo lhe escapa por entre os dedos. Perder é a sina daquele que acumula. Vão-se o acumulado e a paz, transformada no medo do prejuízo. Quem tem, teme. Cerca-se de muros, homens, armas, fórmulas e, contudo, são todos natimortos. Olhe bem, enquanto pode ver.

Viver é se aproximar da morte. Não no futuro, mas agora, pois a morte é o agora em transformação. Desiluda-se, que estabilidade? Desencante-se, se tem início,  finda, como os compostos que se desmantelam. Se tem partes, não é autônomo. Se depende, está sujeito a condições. Para o fim de seu sopro, basta que lhe se retire o ar.

Assim, com o que é mesmo que está preocupado? Qual é mesmo a importância daquilo que lhe tira o sono e o faz tramar contra uns e outros? Qual é mesmo sua prioridade enquanto tem uma mente que pode elaborar metas? Aproveitará o curto tempo que lhe resta para trilhar as rotas batidas de sempre? O tempo de vida é incerto. Onde está seu coração agora?

E de qual coração estamos a falar? Preocupado demais com coisas deste mundo, que tempo lhe sobra para investigar suas premissas e a si mesmo? Como poderia sustentar com convicção a verdade se tivesse receio de confrontá-la?

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10 comentários sobre “Vai passar?

  1. Agradecido Brenão…Simples…com longo alcance e com uma elevado potencial de nos gerar reflexões…Segue aí irmão, estamos juntos!!

  2. As junções desses dedos não são as mesmas e não serão. Senti uma homenagem velada à impermanência de meu 5º metacarpo. Tentando desenteiar-me um pouco da iliusória permanência da vida e suas necessidades…

    • Boa pergunta. Parece que o amor (não a palavra, não a ideia – sim o fato) tem suportado toda sorte de mudança brusca, e se provado imune ao tempo… Essa coisa de “anti-isso-ou-aquilo” é tão século passado! 🙂 😛

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