O impacto de um

Cada um de nós produz um impacto ambiental. Justificamos nosso consumismo ao pensar que nosso impacto é bem pequeno e insignificante. Ocorre que, de grão em grão, chegamos à Tragédia dos Comuns.

Não há nada de insignificante nos 4.500 litros de água necessários para produzir um (!) bife. É que não vemos o que está por trás do abre-alas. Ou ligamos o botão do “Não-é-comigo”. Se você transita por este planeta, deixa um rastro e uma pegada – então, sim, é com você.

Como há consumidores, as indústrias precisam de matéria-prima, e não é de Marte que ela vem. Olhe bem para seu monitor. De onde acha que vem o plástico da carcaça? De onde vem a energia para iluminar a tela?

Imagine você que todos nós queremos poder consumir como os americanos. Todos nós compramos o sonho de que Ter é o último biscoito do pacote. Assim, de grão em grão, nos tornamos miseráveis aspiradores de pó, e uma espécie traiçoeira de câncer.

Nosso impacto se alastrou ao ponto de tornar-se uma força geológica. Os cientistas até decidiram que o Holoceno já era. Agora é Antropoceno – uma era geoclimática moldada por nós. Motivo para orgulho?

As imagens abaixo, mostram como estamos re-desenhando o cenário terrestre. São um alerta que sugere precaução. Mais do que nunca, a simplicidade voluntária é verdadeiramente o último biscoito do pacote.

Aquífero de San Vale. Fonte de água potável de pelo menos 15 bairros de Natal, está sendo contaminado por fossas de esgoto sem tratamento, resultando no aumento do nível de nitrato na água bebida pelo natalense. No corpo humano, o nitrato pode causar doenças e matar. [Campanha Salve a Água Potável de Natal]

Poços contaminados por nitrato (vermelho), em 2003 e em 2007 – Nominuto

Mar de Aral. O governo soviético resolveu usar sua água para irrigar plantações de algodão. O mar está morrendo, e as plantações sequer vingaram. A temperatura regional aumentou e a chuva diminuiu ao ponto de se tornar rara.

Mar de Aral em 2006 e em 1973 – Wired

Atmosfera negra. A queima de madeira e carvão está implicada no aumento de temperatura no Ártico, no Sul da Ásia e na África Ocidental. O “carbono negro” lançado pela queima está sendo responsabilizado pelo derretimento das geleiras no Himalaia.

Áreas em púrpura indicam alta concentração carbono negro – 2009/NASA

Amazônia. Cerca de 12% da superfície da Terra já são usados para cultivo. Na Amazônia, o desflorestamento impacta o ciclo regional de evaporação e condensação, o que pode transformar a floresta numa savana. Os fertilizantes usados pelos fazendeiros injetam nitrogênio e fósforo na terra, sendo levados pelos lenções e rios até o mar, onde se tornam combustível para as crescentes zonas marinhas mortas.

Conversão da floresta amazônica (vermelho) em fazendas e cultivos (verde) – NASA

Recifes de coral. Um-quarto dos recifes de corais da Terra foi perdido nos últimos 50 anos e um-terço dos restantes está ameaçado pela poluição, pesca exploratória, mudança climática e acidificação do oceano. A redução dos corais afeta toda a fauna marinha.

Branqueamento dos corais da Grande Barreira de Corais na Austrália – Matt Kiefer

Plásticos. Nossa indústria sintetizou químicos artificiais que se mantêm estáveis por até milhares de anos. Isso inclui componentes usados em pesticidas e nos plásticos, que terminam sendo comidos por animais. Há hoje zonas marinhas entupidas de plásticos flutuantes.

Plástico no interior de um filhote de albatroz em decomposição – Duncan Wright

Antropoceno. Lançamos 40 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano para a atmosfera, fazendo com que o nível desse gás seja o mais alto nos últimos 15 milhões de anos. O dióxido de carbono é absorvido pelo oceano, resultando na acidificação da água, e dissolvendo corais, plânctons e ostras.

Emissão de fumaça produzida pela queima de carbono – John Norton

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