Escalas e padrões

Escalas e padrões podem ser espelhos e prisões. Lidamos com escalas quando medimos o mundo, quando construímos nele e nos relacionamos uns com os outros. Falamos em escalas musicais e cartográficas quando falamos do espaço entre os elementos de um grupo de notas ou em um desenho. Escalas matemáticas. Números e grandezas.

Podemos sentir as escalas, quando andamos pela cidade. Estão lá, na relação entre o shopping center e o trânsito engarrafado; bem no meio das gôndolas nos supermercados, entre as latinhas de molho de tomate e as fazendas de horti-fruti. As escalas estão no centro dos programas de governo e nas linhas de produção industrial. Entre as sensações provocadas pelo encontro com a maior das montanhas, sentimos uma magnitude de escala.

Engenheiros e arquitetos, designers e artistas são conhecidos por provocar escalas na vida urbana, ao criar vias e formas com as quais interagimos e negociamos nossas percepções de espaço e de sentido. Talvez, cientes da influência das escalas em nossos estilos de vida, pudéssemos vê-las também como sinais apontando para onde estamos e nossas relações com o território.

A linguagem dos padrões reconhece nossa imersão em ordens físicas, biológicas, sociais e psicológicas. Está ciente de como adaptamos e somos adaptados pelas forças constantes dessas ordens. Assim, nós que interagimos com tamanhos e velocidades, estamos a lidar com escalas de padrão.

Engenheiros aeroespaciais e permacultores têm uma percepção aguda do efeito dos padrões em seus projetos. Atentos aos efeitos não-lineares da soma, desde cedo reconhecem que os sistemas são mais do que a soma de suas partes. Por isso, raciocinam sobre as emergências, reconhecem o espaço do erro e lidam com sinergias e multi-funcionalidades.

Projetos permaculturais, por exemplo, apresentam intervenções com pelo menos três funcionalidades cada. Se um permacultor pretende construir um muro, ele servirá não apenas para delimitar espaços, mas também para produzir alimentos e arte. Se desejar construir uma horta, sabe que deve fazê-lo entre a porta da cozinha e um galinheiro. Suas moradias reconhecem o padrão local dos ventos e das águas, e além de abrigar, podem produzir energia e coletar água da chuva.

Escalas e padrões podem liberar e prender. Nossos projetos podem ou não reconhecê-los. Podemos distorcê-los para fins totalitaristas e massificantes, como nos revela a história dos tiranos e a educação de massa. Escalas e padrões também podem ser usados para fins de sustentabilidade. “Nós não precisamos inventar comunidades humanas sustentáveis a partir do nada;”, diz Capra, “podemos moldá-las segundo os ecossistemas naturais, que são comunidades sustentáveis de vegetais, animais e microorganismos”.

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