Fechadura-chave

via Cgoulao

Negação, Freud explica, é mecanismo de defesa.  Podemos ver a negação em curso quando sentimos transtornos físicos, quando nossas verdades são confrontadas, quando sofremos perdas graves no trabalho ou na paixão. A negação vem defender nossa convencionada integridade física e emocional.

Negações filtrando os campos da abundância e da transparência são comuns. Confrontados por notícias desconfortáveis sobre nosso impacto ambiental, continuamos como uma pesada locomotiva que não se freia. Perdas significativas apresentam-se como se fossem reclusões em uma ilha, habitada por censuras, culpas, julgamentos e toda sorte de fontes de miragem.

Nove bilhões de pessoas e um planeta, e todas as demais espécies em seus quase imponderáveis ecossistemas – aos quais tratamos como se fossem nossos recursos. Damos pouca chance ou oportunidade ao que difere, negamos a humildade e a abertura investigativa. “Somos quem somos!”, estamos acabados. “Não quero saber!”, somos fartos. Habitamos nossos lares de certeza e fechamos as portas e janelas para aquilo que não for ideal.

Algumas negações são socialmente construídas, histórica e coletivamente, e se demoram por gerações, transmitidas culturalmente, por nossas bocas de pais e mães e amigos, por aparelhos intencionais de ensino e de comunicação. Vemos toda sorte de negação em nossos códigos morais,  variando em tempo e ambiente. Quais defesas continuam válidas no momento presente? Que negações servem a quais interesses e de quem?

A Terra sustenta uma teia de vida única em sua forma. Habitando nela, mais criaturas sensíveis do que podemos contar. Há uma infinidade de idéias, e diferentes mundos. Convivemos numa trama oceânica e abundante. Todavia, nossa economia é de miséria e saque. Nossa visão absoluta é parcial. Nossas ilhas particulares, o que pretendem impedir ou resguardar?

Ilhas particulares são uma invenção, dessas que naufragam. Já se disse que nenhum homem e mulher é uma ilha. Então, de onde vêm todas as nossas fronteiras, limites, definições e mapas? E por que podem ser desafiados com tanta facilidade por tsunamis, guerras e emergências imprevistas?

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