Desejose de ano novo

Ano após ano, desejos de “ano novo” pipocam por todos os lados, como Gremlins na chuva. A mudança de ano é a deixa para a apoteose de desejos de saúde, felicidade, paz…

O festival de desejos de ano novo evoca perguntas sobre a eficiência do desejo. Por que nossos desejos não se realizam satisfatoriamente? Por que precisamos de mais e mais desejos? Quem é você sem os objetos do desejo?

A experiência humana não pode ser reduzida ao reino do desejo, ainda que seja grande o esforço em fazê-lo, como a todo custo tenta a ideologia hedonista do consumismo. Se o desejo é natural, ainda pode ser artificialmente induzido e canalizado.

Em ‘O Mito do Desejo’ descobrimos Desejo vestido de vontades cardeais sobre um mapa imaginário, segurando um coração de vidro.

Desejos de ano novo são confissões e revelam nossas idades e cicatrizes. Refletem nossas vivências nos campos da insatisfação, da perda e do sonho. Voltamos a desejar felicidade, saúde e paz. Faz um bom tempo que incorremos nesse desejo. Mesmo com todo labor, agora, há felicidade, saúde e paz? Quem experimenta isso?

Passamos desde cedo a desejar, em parte por causa de necessidades vitais de corpo e mente. Depois somos introduzidos na cultura do desejo. A partir disso, passamos a desejar mudanças sociais e prazeres pontuais. Na verdade, desejamos de tudo. Se ao menos tivéssemos um planeta infinito para sustentar tal voracidade!

(Atualizado em 29.12.2016)

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