O derretimento dos Himalaias


Himalaia visto do espaço (geleiras em branco)

O platô tibetano – o mais largo e alto no mundo -, contém 46 mil geleiras. Fora dos polos, essa é a maior massa de gelo da Terra. Concentrados nas geleiras do Himalaia há 12 mil quilômetros cúbicos de água. Pesquisas aéreas nos últimos 30 anos evidenciam que as geleiras estão derretendo, enquanto os pântanos encolhem e a desertificação aumenta. Os peregrinos que trilham o sagrado Monte Kailash têm reportado o retrocesso de suas geleiras.

Geleiras do Monte Kailash

Durante o verão, as geleiras derretem parcialmente, alimentando os rios da região. Parte considerável do suprimento mundial de alimentos é criticamente dependente da água derretida de geleiras no verão. Os maiores rios asiáticos – o Indo, o Ganges, Brahmaputra, Salween, Mekong, Yangtze e Huang He – derivam seu fluxo da água derretida das geleiras tibetanas. Por exemplo, 70% do fluxo de verão do rio Ganges provêm da geleira Gangotri, que está derretendo. Com o retrocesso das geleiras, o volume de água nos rios primeiro cresce, causando transbordamentos generalizados, e então declina com rapidez.

Retrocesso da geleira Gangotri, em anos

Os efeitos do aquecimento começam a se fazer notar no Himalaia indiano. A água escasseia e os riachos perenes agora são sazonais. Os agricultores não sabem quando semear, porque as chuvas não vêm mais com precisão. As plantações e as safras sofrem com as secas e chuvas inconstantes. A fome e a sede espreitam.

300 milhões de indianos pobres são os primeiros afetados

O Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC) afirma que as geleiras do Himalaia estão retrocedendo mais rapidamente do que em qualquer outra parte do mundo. O órgão adverte que elas poderão desaparecer totalmente até 2035. O Serviço de Monitoramento das Geleiras do Mundo (WGMS) admite que “as geleiras do Himalaia, em sua maioria, estão em rápido e substancial recuo”, mas afirma que é pouco provável que cheguem a desaparecer plenamente nas próximas décadas.

Centenas de milhões de pessoas na Índia, no Paquistão e em Bangladesh dependem dos rios formados pelas geleiras dos Himalaias. “As geleiras são especialmente vulneráveis ao aumento da temperatura. A construção de represas, o desflorestamento e as chuvas erráticas estão provocando uma terrível falta de água nas comunidades”, diz Vinod Bhatt, líder do estudo “A Mudança Climática no Terceiro Polo: O impacto da instabilidade do clima nos ecossistemas e comunidades dos Himalaias”, produzido pela ONG Navdanya, dirigida pela renomada ambientalista indiana Vandana Shiva.

Segundo o estudo, realizado em 165 aldeias de três estados da Índia, na última década 280 de 809 mananciais perenes tornaram-se temporários ou secaram totalmente. Dos 321 que fluíam sazonalmente, 144 secaram. Com a escassez, a miséria. Vacas e búfalos morrem de sede, as colheitas de batata fracassam. Ursos e o leopardo da neve estão ameaçados.

A Índia emite 1.293 milhões de toneladas anuais de Dióxido de Carbono para a atmosfera, sendo o quarto maior emissor de gases do efeito estufa, atrás da China, EUA e Rússia. Mesmo assim, seus políticos recusam-se a assinar um pacto vinculatório de redução de suas emissões.

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