Inspira, Expira…

Os iogues têm a respiração em alta conta. Diz o iogue Ramachácara: “A vida depende, em absoluto, do ato de respirar. A respiração é a vida. […] Respirar é viver e não há vida sem respiração”. Hoje sabemos que há seres capazes de viver e reproduzir sem ar, como o Clostridium tetanni, o micróbio causador do tétano. Entretanto, a questão não é essa. Aqui a questão é sobre a importância da respiração para a qualidade de vida humana.

Há cerca de oito anos, o cardiologista italiano Luciano Bernardi coordenou na Universidade de Pavia um estudo sobre a influência da Ave-Maria sobre o sistema cardiovascular. Pesquisas anteriores sugeriam que a recitação da oração tinha efeito calmante sobre os praticantes. O que Bernardi descobriu foi que isso tinha relação com o ritmo da respiração exigido pela métrica da oração. Para recitar a oração, os praticantes tinham que baixar o número de inspirações e expirações para seis por minuto, um terço do ritmo normal. O ritmo reduzido abrandava a frequência cardíaca e a pressão arterial, produzindo a sensação de calma.

Os iogues reconhecem a relação da respiração sobre a saúde e a vitalidade há milênios. Entre 200 a.C. e 400 d.C, Patânjali, renomado como o autor do Yoga Sutra, destacou a importância da respiração na prática e filosofia da ioga. “A mente se sereniza”, diz Patanjali, “pela expiração e retenção do alento”. Às práticas de controle da energia respiratória, Patanjali chamou de “Pranayama“. Na respiração, segundo os iogues, há mais do que ar sendo levado aos pulmões. Segundo eles, há uma energia que denominam de Prana, que é assimilada pelo sistema nervoso e aproveitada para a sua função. “Cada pensamento, esforço de vontade ou movimento de um músculo”, diz Ramacháraca, “gasta certa quantidade do que chamamos força nervosa, a qual é, em realidade, uma forma de Prana”.

A ciência ocidental não reconhece Prana, visto que a análise química não o constata nem podendo ele ser registrado pelo atual instrumental da ciência materialista. Todavia, a exemplo da pesquisa de Bernardi, outros pesquisadores ocidentais começam a se interessar pela respiração e seus efeitos nos transtornos de ansiedade, de hipertensão e de dores crônicas. Estudos do Laboratório de Pânico e Respiração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, mostram que 70% dos portadores de distúrbios de ansiedade conseguem diminuir em até 60% a dose de antidepressivos e ansiolíticos depois de seis meses de prática respiratória. “Para quem sofre de pânico, o treinamento da respiração diafragmática é o primeiro passo para a resolução do problema sem medicamentos”, diz o psiquiatra Geraldo Possendoro, professor de medicina comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

As teorias científicas ocidentais referentes à respiração têm se limitado à absorção do oxigênio e seu uso através do sistema circulatório, enquanto a teoria iogue leva também em conta a absorção do Prana e sua manifestação pelos canais do sistema nervoso. Há outra diferença. A teoria científica foca-se no tratamento de estados patológicos, enquanto a teoria iogue, além de visar remediar esses estados, busca a vitalidade, isto é, a otimização das qualidades vitais do praticante.

+ Pausa para respirar (Matéria de Veja)

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