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Quando olhamos para uma pessoa feia, estamos conscientes de que a feiúra daquela pessoa é uma invenção nossa? Quando olhamos para o mar iridescente, há consciência de que a bela visão não existe independente de nós?

Essas perguntas dão uma idéia dos ensinamentos cobertos, em Natal nos últimos dias, pela notável monja Ani Zamba. Afiada e disposta a evidenciar as distorções em nossas visões de mundo, Ani compartilhou ensinamentos e práticas da filosofia e psicologia budistas em eventos distribuídos em três locais de Natal: no Hotel Maine, na UFRN e na Vila de Ponta Negra.  Aproximadamente 70 participantes puderam examinar e praticar algumas das mais antigas abordagens espirituais já produzidas, como os ensinamentos de Lojong e as práticas de Shamata, Vipassana e Tonglen.

Esses ensinamentos e práticas visam despertar o praticante de seu modo de percepção e de atuação automatizados, ao fornecer meios hábeis para que reconheçam e cultivem as qualidades da mentecoração – antídotos naturais aos venenos cotidianos da ignorância ativa, desejo dualista e raiva. De acordo com a teoria budista, uma mente lúcida seria capaz de imediatamente reconhecer que uma pessoa feia é apenas uma historinha que estamos contando para nós mesmos, inspirados por estados de humor, memórias, apegos e aversões, além de uma boa dose de distração. Dizia Emerson: “Vá o homem aonde quiser, não poderá encontrar senão a quantidade de beleza ou de valor que leva consigo”.

De acordo com Ani, o mestre é apenas um símbolo. Ele está ali corporificando os ensinamentos. Segundo ela, tudo o que ele pode fazer é apontar a lua ao praticante. Devendo este olhar ou caminhar para ela por si mesmo. Em resumo, os ensinamentos trazidos por Ani desafiam o senso de responsabilidade. Se não pudermos culpar mais ninguém pelo modo como interpretamos o mundo, como não assumir responsabilidade por nossas experiências?

Abaixo, outras fotos. As duas de cima foram tiradas por Leibnitz, no Hotel Maine. Logo abaixo, duas fotos de Ani, tiradas por Rejane Pinheiro, no evento na UFRN. As duas de baixo foram tiradas na Vila de Ponta Negra.

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