Frases selecionadas

As seguintes frases foram selecionadas de uma palestra proferida pela monja Ani Zamba, durante um evento ocorrido em 20/11/09, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a convite do Grupo de Estudos da Complexidade – Grecom. Naquela tarde, a monja proferiu uma palestra intitulada “A vida nas idéias e as idéias na vida”.

Agradecemos a Maria Angela Pavan e a Socorro Veloso pela seleção e disponibilização dos apontamentos. Que estas anotações possam partilhar um pouco do vasto conhecimento oferecido por Ani, em benefício de todos os seres.

A vida nas idéias e as idéias na vida

Nós não sabemos como realizamos nossa experiência, dependemos sempre de coisas externas para conseguir nos sentir BEM.

Se olharmos para nossos problemas psicológicos nunca sabemos definí-los se eles são externos e internos.

E também há confusão ao definir o que é real do que não é real (irreal). Não sabemos examinar a base do que real.

A percepção capta o que é ILUSÃO.

Os conflitos são gerados pelas diferentes formas de VER as coisas.

No budismo, para alguma coisa ser real, deve ser imutável.

Como sabemos se o que vemos e ouvimos é verdade? “Cada um de vocês está me olhando de maneira diferente”. A maneira como vemos o agora é distorcida e confusa.

Não vemos a verdade dos fenômenos, mas apenas o que achamos que estamos vendo.

Olhamos e fixamos a maneira como vemos as coisas. Não há possibilidade de vê-las de outra maneira.

Nossos conflitos surgem porque vemos as coisas de maneira diferente. “Eu estou certa, e você, errado”.

A diferença entre REAL e ILUSÃO é:

REAL = não depende de condições

ILUSÃO = é algo que depende de condições.

Interpretamos o que vemos, e reagimos à nossa interpretação. Nossas impressões sao geradas por experiências passadas.

Não sabemos o que é felicidade.

E constantemente damos rótulo às coisas.

Precisamos de referências, pois elas nos fazem sentir seguros. Quando não a temos, ficamos inseguros, não sabemos como reagir, não sabemos lidar com as mudanças.

Na Ásia existem seis sentidos. Um extra é a consciência mental, a “mente conceitual”. No Ocidente, são cinco. Que não sentem as coisas. Achamos que podemos ouvir, sentir gosto, ver, mas isso não é possível. O que vemos é apenas luz. O cérebro é que se encarrega do resto.

A idéia é casada com a aparência. Não conseguimos separar o que é conceito do que é verdade. “Isso é bonito, isso é feio, isso é bom, isso é ruim”.

Ver as coisas de maneira ilusória: essa é a causa de todos os nossos problemas.

É preciso ficar claro o que estamos procurando, o que queremos para nossas vidas, Precisamos saber o que queremos e como alcançar isso. Senão, é tudo fútil.

A definição de FÚTIL é quando plantamos arroz e esperamos que nasça uma rosa.

Quando as coisas nao são do jeito que queremos, vem a frustração, a raiva.

Mas nao podemos depender de nossos desejos (amor, status). Precisamos observar que condições produzem que resultados em nossas vidas.

Se estudarmos nossas percepções percebemos que IDÉIAS são a VIDA, e que não entendemos são nossas pré-concepções.

As nossas pré-concepções constroem nossas concepções. Para dizer: “isso nao é bom”, precisamos ter a pré-concepção do que é ruim. Não vemos as coisas como são, mas como achamos que são.

Percebam como a ignorância é inteligente – ela joga a energia para mantermos a ilusão no seu lugar.

Temos de nos perguntar: realmente queremos ver a verdade, nos libertar desses condicionamos, acordar? Porque esse é o significado de Buda: acordar.

Buda nos diz: Acorde!

Budismo não é religião, mas uma maneira de se ver a vida.

São três passos, três elementos necessários para abrir nossa percepção do mundo:

1) Tudo muda a cada instante  (há sempre um começo e um fim) e precisamos ver o mundo desta maneira. Nada é estático.

2) Nenhum fenômeno tem valor ou substância a partir dele mesmo.

3) Nada existe a partir dele mesmo.

Trata-se da maneira como você vê a vida, porque não ficará chateado com quem pensa diferente de você. Esse é o início da compaixão.

A frase em uma camiseta: “Se as pessoas pudessem ser diferentes do que elas são, elas seriam. Como não podem, elas não são”.

Se as pessoas fossem diferentes do que elas são, seria bom.  Mas elas não vão mudar. Mude você sua maneira de VÊ-LAS.

Mas pensamos: “Se você fosse assim, eu seria feliz.. Você é a causa da minha infelicidade”.

Somos grandes contadores de histórias. Só não percebemos que nos enganamos com nossas próprias histórias.

É preciso ter uma intenção positiva, em benefício dos outros, ainda que os resultados sejam negativos. Esse deve ser o nosso desejo.

Nossa confusão é nosso caminho espiritual. As experiências diárias nos dão o caminho para o espiritual.

O significado de compaixão:

Ocidente – sentir junto

Tibete – coração nobre

Sânscrito – compaixão vem da sabedoria

Além da nossa fabricação mental, a atividade espontânea é a compaixão. Precisamos ir além para vermos todos da mesma maneira. Aí a compaixão começa a brotar.

A compaixão surge da tentativa de se libertar dos condicionamentos.

Precisamos achar meios de beneficiar os outros, não de machucá-los.

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