
RE:Org é uma série de postagens dedicadas a apresentar métodos e processos utilizáveis por comunidades inspiradas pelos princípios da participação democrática e aprendizado mútuo. Os posts são produzidos a partir de conteúdo Shareable.
3. Teoria U
Processo de busca da mudança através do conhecimento interno e da inovação social. Desenvolvida por Otto Scharmer, o método é influenciado pelas técnicas de Goethe, e visa transformar observações em intuições e julgamentos sobre o estado atual de uma organização em decisões sobre o futuro.
A Teoria U pode ajudar facilitadores, líderes situacionais e gestores a atravessar padrões comportamentais passados improdutivos que impedem a empatia por outras e novas perspectivas. O “U” representa três momentos do processo: sair da bolha e conectar com o mundo exterior (lado esquerdo do U); conectar com o mundo interior (base do U); geração inovação no mundo (lado direito do U).
De acordo com Scharner (2007), “Mover-se do lado esquerdo do U significa abrir-se e lidar com resistências de pensamento, emoção e vontade; mover-se para o lado direito significa reintegrar propositalmente a inteligência do coração, da mente e da mão, no contexto das aplicações práticas”
Os participantes adentram uma jornada de 5 Etapas:
1) Co-iniciar a intenção comum: Parar e ouvir os outros aquilo que a vida pede que você faça.
2) Co-sentir o campo da mudança: Seguir para os lugares de maior potencial e escutar com sua mente e coração abertos.
3) Presenciar a inspiração e o desejo comum: Ir para a região de borda (entre os mundos interno e externo) e permitir que o conhecimento interno se apresente.
4) Co-criar um microcosmo estratégico: Com base nas informações da etapa 2, co-criar um protótipo para o novo, capaz de explorar o futuro através do fazer.
5) Co-evoluir através de inovações: Com base nas informações da etapa 1, cultivar ecossistemas que facilitam a visão e a ação a partir da perspectiva integral.
Durante a jornada, serão necessárias (e desenvolvidas) 7 Capacidades Essenciais:
- Gere Espaço: Ouça a si mesmo, aos outros, e garanta que haja espaço para o diálogo;
- Observe: Sem sua voz de julgamento habitual, livre de esquemas cognitivos do passado;
- Sinta: A partir do coração, e busque por hólons, interdependências e valores;
- Presencie: Através da fonte mais profunda de ser e vontade, e aja a partir da integridade;
- Cristalize: Ache pessoas-chave auto-comprometidas com o propósito e processo do projeto;
- Protótipo: Reúna mentecoraçãomão, e não deixe que ações reativas e super-análises paralisem;
- Performance: Ache líderes situacionais, boas tecnologias sociais e multi-partes interessadas.
No próximo RE:Org, o método da Busca pelo Futuro.
O método investiga o que fortalece a capacidade de um sistema de apreender, antecipar e aumentar seu potencial positivo. Ao invés de negação, criticismo e diagnósticos sem fim, o processo enfatiza a descoberta, o sonho e o design na busca da construção de valor e visão.
O método organiza-se ao redor das questões que importam. Em uma comunidade um exemplo de questão pertinente pode ser “Quais são as causas da crise econômica e quais são as possíveis soluções?”. O processo funciona com o coletivo sendo dividido em grupos de 4 ou 5 pessoas para discutir a questão. Depois de um período definido de tempo, as pessoas trocam de grupo, compartilham o que aconteceu no grupo prévio, e retomam a conversa. Essa inter-fertilização de vozes permite o aparecimento de temas mais profundos. O processo de trocar de grupo continua várias vezes. No final, as pessoas falam ao coletivo sobre os pontos de vista que surgiram em cada grupo. Esses pontos de vista podem ser sumarizados e disponibilizados, por exemplo, na internet – como parte da coversa global sobre a economia.
No método Open Space há sessões múltiplas. No começo qualquer pessoa pode se levantar e anunciar um tema para discussão ou ação. Um conjunto de tópicos sobre o mesmo tema é então criado. Em uma sessão os participantes formam círculos menores para discutir os tópicos. As pessoas estão livres para andar de um círculo para outro compartilhando e fertilizando o que aprendem nos diferentes círculos do grupo. Na sessão seguinte, as pessoas encaminham um novo conjunto de tópicos sobre o mesmo tema. Diferentes pontos de vista têm a chance de ser ouvidos e integrados nos padrões mais profundos que emergem dos diálogos múltiplos. No fim das múltiplas sessões os círculos reorganizam-se em um único grupo que sintetiza tudo o que foi discutido. Frequentemente, há muito mais clareza sobre o tópico; novas possibilidades, soluções, e ações emergem da inteligência coletiva.